Neuropeptídeo reduz inflamação e protege o cérebro da dourada, revela estudo espanhol

O estresse no manejo diário da aquicultura pode desencadear processos inflamatórios severos nos peixes, prejudicando a saúde dos lotes e gerando prejuízos econômicos. Buscando soluções para esse desafio, pesquisadores da University of Murcia , da Universidad Miguel Hernández e do Institute of Agricultural and Environmental Research and Development of Murcia, na Espanha, investigaram uma nova estratégia de defesa. Eles avaliaram o potencial anti-inflamatório de uma substância natural do próprio peixe, o neuropeptídeo somatostatina-6 (SST6) , no combate à inflamação na dourada (Sparus aurata), uma espécie marinha de grande valor comercial.

Para entender como o organismo reage, os cientistas utilizaram a carragenina para induzir uma inflamação estéril aguda e controlada no músculo dos peixes. Em seguida, administraram o SST6 e analisaram as mudanças na expressão dos genes tanto na pele, o local primário da inflamação, quanto no cérebro, o principal reservatório de neuropeptídeos. Essa análise foi feita utilizando uma tecnologia avançada chamada RNA-seq, que permite observar detalhadamente quais processos biológicos são ativados ou desativados pelas células em resposta ao tratamento.

Os resultados mostraram que a carragenina causou uma resposta imune intensa, com danos celulares e apoptose (morte celular) na pele das douradas. No entanto, o tratamento com o SST6 conseguiu atenuar esses efeitos negativos de forma notável. A substância ajudou a reativar os processos de resolução da inflamação e reparo do tecido machucado, estimulando o metabolismo protetor de lipídios e restaurando as vias de comunicação nervosa local. Na prática, o neuropeptídeo reverteu o quadro inflamatório, guiando a pele do peixe de volta ao seu estado de equilíbrio.

Além dos benefícios locais na pele, o estudo revelou um importante efeito protetor no sistema nervoso central. No cérebro dos peixes, enquanto a inflamação gerava estresse celular, o SST6 mitigou a morte das células e fortaleceu as defesas antioxidantes e neurotróficas. Essa descoberta comprova de forma contundente que o sistema nervoso e o sistema imunológico dos peixes trabalham em conjunto, formando um eixo neuroimune. Para o produtor, o estudo aponta que compostos reguladores como o SST6 são candidatos muito promissores para futuras terapias que aumentem a resiliência e o bem-estar dos animais diante de desafios sanitários nas fazendas.

Quer entender mais sobre como o eixo neuroimune atua na defesa dos peixes marinhos e descobrir os detalhes genéticos e moleculares desta pesquisa inovadora? Convidamos você a acessar e ler o artigo científico completo.

Fonte: Neuroimmune regulation of inflammation: RNA-Seq study of somatostatin-6 effects in gilthead seabream (Sparus aurata) skin and brain

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