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    Pesquisa da Embrapa utiliza algas como bioestimulante para aumentar resistência de grãos à seca

    Pesquisadores da Embrapa Agroenergia (DF), investigam o uso de algas marinhas como matéria-prima para desenvolver bioestimulantes capazes de aumentar a resistência de culturas agrícolas à escassez de água. Nesse contexto, o estudo avalia extratos obtidos de espécies encontradas na costa brasileira com o objetivo de melhorar o desempenho de grãos cultivados em regiões sujeitas a estiagens prolongadas.

    Além disso, a iniciativa busca transformar compostos naturais presentes nas algas em insumos agrícolas que estimulem o crescimento e a adaptação das plantas a condições adversas. Ensaios conduzidos em ambiente controlado já indicam resultados promissores, especialmente em culturas de inverno como trigo e canola.

    Nos experimentos, os pesquisadores observaram aumento significativo na formação de síliquas na canola, estruturas responsáveis por abrigar as sementes. Da mesma forma, o trigo apresentou expansão do sistema radicular. Como resultado, as plantas passaram a ter maior capacidade de absorver água e nutrientes, característica considerada essencial para enfrentar períodos de déficit hídrico.

    Triagem inicial de espécies de algas

    Inicialmente, a equipe realizou testes em casa de vegetação para avaliar o efeito de diferentes extratos de algas no desenvolvimento das plantas. Nessa etapa, os cientistas analisaram quatro espécies marinhas para identificar compostos bioativos capazes de estimular processos fisiológicos importantes para o crescimento vegetal.

    Entre essas substâncias estão metabólitos secundários e fitormônios naturais. Esses compostos funcionam como sinalizadores químicos que regulam respostas adaptativas das plantas. Dessa forma, eles podem contribuir para melhorar o desempenho das culturas quando enfrentam condições ambientais adversas.

    Resultados preliminares no Cerrado

    Posteriormente, os cientistas selecionaram os extratos com melhor desempenho e avançaram para experimentos com culturas de grãos cultivadas no Cerrado brasileiro. A região apresenta períodos prolongados de estiagem durante o inverno, o que torna o local adequado para esse tipo de avaliação.

    Até o momento, os resultados preliminares indicam que determinados extratos de algas ajudam as plantas a manter seu potencial produtivo mesmo sob estresse hídrico. Esse cenário tende a se tornar mais frequente devido às mudanças climáticas, o que reforça a importância da pesquisa.

    Potencial econômico das algas

    Além do impacto direto na agricultura, a pesquisa também destaca o potencial econômico da cadeia produtiva de algas marinhas no Brasil. Nesse sentido, o projeto já avançou no desenvolvimento de uma formulação em pó para o bioinsumo.

    Os pesquisadores obtiveram essa formulação por meio de um processo de secagem controlada. Assim, o produto ganha maior estabilidade e passa a ter transporte e armazenamento mais simples, fatores importantes para viabilizar uma futura aplicação comercial.

    Próximos passos da pesquisa

    Agora, os pesquisadores planejam iniciar testes em campo. Nessa nova etapa, a equipe pretende validar a eficiência dos extratos em condições reais de cultivo.

    Além disso, os cientistas devem definir recomendações de uso, como dosagem e período de aplicação. Portanto, caso os resultados se confirmem, a tecnologia poderá oferecer uma nova alternativa biotecnológica para aumentar a resiliência das lavouras diante da escassez de água.

    Fonte: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/111768999/pesquisa-avalia-algas-brasileiras-como-bioestimulante-em-graos-sob-estresse-hidrico

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