Costa noroeste como polo estratégico de produção
Os índices de adequação gerados por algoritmos espaciais demonstraram que a região Noroeste de Portugal oferece as condições ambientais mais equilibradas para a engorda e crescimento das três espécies avaliadas. As zonas de Viana do Castelo e Leixões, já delimitadas pelo plano de alocação de energia nacional para receber parques eólicos e de ondas, destacaram-se como os pontos mais promissores para receber as plataformas multiuso de co-localização industrial. Enquanto a salinidade atua como o principal gargalo delimitador para o robalo e a concentração de clorofila-a limita os mexilhões, a alga Laminaria hyperborea encontra seu nicho térmico ideal nas águas frias do norte.
Descompasso espacial e o efeito de proteção das ondas
Apesar das fortes sinergias operacionais e da redução de custos logísticos compartilhados, o estudo identificou um descompasso físico importante entre as indústrias. Os polígonos destinados às energias renováveis situam-se em profundidades próximas ou superiores a 100 metros, enquanto as concessões de aquicultura ativas operam em águas mais costeiras e rasas, abaixo dos 50 metros de profundidade. Essa separação geográfica, frequentemente superior a 30 quilômetros, dilui o chamado “efeito de sombra”, no qual os conversores de energia das ondas funcionariam como uma barreira artificial de proteção, atenuando a altura das ondas e reduzindo o estresse mecânico e estrutural sobre os tanques-rede da aquicultura.
Aquecimento global ameaça o cultivo de macroalgas
As projeções ecofisiológicas para as próximas cinco décadas indicam impactos altamente assimétricos provocados pelas mudanças climáticas na costa portuguesa. O aumento gradual da temperatura da água na superfície não deve comprometer o desenvolvimento do robalo ou do mexilhão, cujos limites de tolerância biológica são naturalmente centrados em faixas mais quentes. No entanto, o cenário projetado para o período estival é classificado como dramático para a Laminaria hyperborea. O aquecimento estimado para o verão tornará praticamente toda a extensão litorânea do país inadequada para essa alga de águas frias, empurrando a espécie para o risco de extinção local.
