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Pacu molda perfil nutricional e lipídico conforme ambiente de criação

Pesquisadores da Universidad Nacional del Nordeste (UNNE) e do CONICET, na Argentina, constataram que o ambiente de criação e o manejo produtivo alteram diretamente a composição nutricional e o perfil de ácidos graxos do pacu (Piaractus mesopotamicus). O estudo avaliou exemplares obtidos na pesca comercial do rio Paraná e de três modelos aquícolas do nordeste argentino: tanques escavados próximos a plantações de erva-mate, rotação agropecuária com arroz e viveiros artificiais controlados. A proposta foi compreender a variabilidade nutricional da carne tal como ela é comercializada e consumida.

Variação marcante entre ambiente natural e cultivo

Para determinar a composição do filé, os autores realizaram análises de umidade, cinzas, proteínas por Kjeldahl e lipídios totais por extração Soxhlet, além de espectrometria de emissão atômica por plasma de micro-ondas para quantificar minerais. Os resultados revelaram que o teor de umidade variou entre 64% e 71%, enquanto a proteína bruta oscilou de 15,57% a 17,20%.

Todos os lotes ultrapassaram a marca de 10% de lipídios totais, com índices de 12,51% a 14,72%, o que classifica o pacu como um peixe gordo de alto valor energético. Os peixes capturados no rio apresentaram as maiores concentrações de gordura e de cálcio, ao passo que os sistemas de cultivo exibiram teores proteicos ligeiramente superiores ou retenções minerais específicas associadas ao ambiente.

Perfil lipídico saudável e síntese de ácidos graxos

A fração lipídica foi amplamente dominada por ácidos graxos insaturados em todos os sistemas, com destaque para os ácidos linoleico, palmitoleico e oleico. Os ácidos graxos poli-insaturados responderam por cerca de metade do perfil total, garantindo uma relação poli-insaturados/saturados favorável à saúde cardiovascular humana em todos os tratamentos.

A principal divergência ocorreu nos ácidos graxos de cadeia longa ômega-3. Os exemplares criados em viveiros artificiais controlados alcançaram teores significativamente superiores de DHA (6,02%), resultando em uma relação ômega-6/ômega-3 substancialmente menor (4,55) quando comparada aos demais grupos, cujas razões variaram de 18,18 a 24,67. Níveis de EPA permaneceram baixos em todas as amostras, padrão típico de peixes dulcícolas.

Assinatura mineral e relevância para o setor

A análise multivariada confirmou que cada sistema confere uma assinatura química própria ao pescado. O pacu proveniente do consórcio com erva-mate destacou-se pelas maiores concentrações de ferro e potássio, reflexo provável da interação com os solos lateríticos ricos em ferro da província de Misiones. Já os tanques controlados acumularam mais magnésio e sódio.

Os dados demonstram que fatores ecológicos, manejo nutricional e características do sedimento atuam em sinergia para moldar o valor funcional do pacu. A caracterização fornece subsídios fundamentais para atualizar tabelas de composição de alimentos e permite que a indústria aquícola direcione estratégias de alimentação para agregar valor mercadológico ao produto final.

Fonte: Nutritional composition and multivariate characterization of Piaractus mesopotamicus from contrasting production systems in Northeastern Argentina

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