O gargalo produtivo no cultivo de olho-de-boi
O olho-de-boi destaca-se na aquicultura marinha por seu crescimento acelerado e excelente aceitação de mercado. No entanto, o período de transição alimentar, no qual as larvas deixam de consumir presas vivas como Artemia para ingerir dietas secas, é marcado por alta mortalidade e oscilações no desenvolvimento. Para superar essa barreira e criar rações mais sustentáveis, os cientistas testaram a inclusão de 4% de biomassa de cinco microalgas locais: Nannochloropsis sp., Arthrospira platensis, Isochrysis galbana, Tetraselmis striata e Dunaliella salina. O experimento acompanhou larvas entre 33 e 48 dias após a eclosão.
Respostas produtivas e qualidade óssea
A avaliação revelou diferenças marcantes entre os tratamentos. A microdieta com Nannochloropsis sp. registrou o melhor desempenho global, obtendo a maior taxa de sobrevivência final (23,5%) e superior ganho de peso e comprimento. O perfil nutricional dessa microalga garantiu níveis elevados de ácido araquidônico (ARA) e selênio, mineral decisivo para o sistema antioxidante larval. Já a formulação com Isochrysis galbana, caracterizada pelo alto teor de ácido docosa-hexaenoico (DHA), destacou-se no aspecto qualitativo: reduziu a incidência de deformidades vertebrais para apenas 4,08% e de anomalias esqueléticas graves para 5,44%.
Saúde digestiva e resistência ao manejo
As análises histológicas confirmaram que todas as microdietas apresentaram boa digestibilidade e aceitação pelas larvas, mantendo a integridade tecidual do fígado e do trato intestinal sem danos severos. Adicionalmente, a presença de carotenoides naturais na dieta com Dunaliella salina contribuiu para reforçar a capacidade antioxidante e a tolerância dos animais ao estresse por manipulação fora da água. Segundo os autores, a combinação estratégica dessas espécies de microalgas abre caminhos para formular rações comerciais eficientes, seguras e alinhadas aos princípios da bioeconomia circular.
