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Camarão gigante de água doce ganha modelo genético para resistir ao estresse térmico

A aquicultura continental em regiões tropicais enfrenta desafios crescentes decorrentes das mudanças climáticas, como a elevação contínua da temperatura da água, a depleção do oxigênio dissolvido e o aumento na frequência de surtos de patógenos. Para superar as limitações operacionais dos manejos ambientais convencionais, pesquisadores das universidades de Kasetsart e Burapha, na Tailândia, em parceria com a Universidade de Sunshine Coast, na Austrália, estabeleceram um modelo de melhoramento genético voltado para a resiliência climática no cultivo do camarão-gigante-de-água-doce (Macrobrachium rosenbergii).

A limitação do manejo tradicional e a virada genética

Historicamente, o controle de estressores ambientais em viveiros escavados baseia-se em aeração mecânica constante, trocas sistemáticas de água ou aprofundamento dos tanques. Embora eficazes em curto prazo, essas estratégias apresentam custo elevado e alto consumo de energia, tornando-se inviáveis para sistemas de pequena escala. Diante disso, a seleção baseada na plasticidade fenotípica e na interação genótipo-ambiente surge como uma alternativa sustentável de longo prazo, permitindo identificar linhagens capazes de manter o desempenho produtivo mesmo sob forte oscilação térmica.

Avaliando a resiliência por normas de reação

Para testar o conceito, os cientistas analisaram juvenis de Macrobrachium rosenbergii expostos a flutuações térmicas diárias graduais durante 72 dias em ambiente controlado. A aplicação de modelos de regressão aleatória para ajustar as curvas das normas de reação revelou uma herdabilidade de $h^2 = 0,07$ para a resiliência climática. A análise demonstrou que a correlação genotípica entre o ganho em peso médio diário e a resiliência é positiva, enquanto a correlação fenotípica é negativa. Essa divergência indica que fatores não aditivos e ambientais influenciam o crescimento sob estresse, exigindo o uso de índices de seleção para equilibrar produtividade e robustez.

Vias moleculares e o futuro da seleção de precisão

O avanço desse modelo prevê a integração de dados multiômicos para refinar a precisão das estimativas de valor genético. Estudos de expressão gênica no hepatopâncreas e brânquias da espécie identificaram alvos moleculares essenciais em situações de estresse térmico, incluindo os genes pepck e fas, associados ao metabolismo energético, e hsp90 e grp78, ligados à resposta de proteção celular. A combinação de sensores de monitoramento em tempo real nas propriedades rurais com redes de seleção genômica e biotecnologias reprodutivas consolidará linhagens adaptadas regionalmente, garantindo a sustentabilidade da carcinicultura tropical diante do cenário climático imprevisível.

Fonte: Genetic improvement for climate-resilient aquaculture stocks: perspectives on applications in giant freshwater prawn (Macrobrachium rosenbergii)

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