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Litopenaeus vannamei ativa defesas e muda metabolismo sob estresse salino-alcalino

Pesquisadores da Universidade de Ningbo, na China, demonstraram como o camarão-branco-do-pacífico (Litopenaeus vannamei) mobiliza seu hepatopâncreas para sobreviver ao cultivo prolongado em águas salino-alcalinas de baixa salinidade. O estudo experimental de 60 dias revelou que, para enfrentar esse ambiente desafiador, a espécie ativa simultaneamente redes de defesa antioxidante, respostas inflamatórias e uma reorganização metabólica profunda.

O desafio da carcinicultura em solos salino-alcalinos

A expansão da carcinicultura marinha enfrenta crescentes limitações territoriais e ambientais nas zonas costeiras. Como alternativa para o desenvolvimento sustentável do setor, o uso de águas e solos salino-alcalinos continentais tem se consolidado como uma fronteira promissora. Contudo, a combinação de baixa salinidade e elevada alcalinidade impõe um severo estresse fisiológico aos animais, exigindo a identificação dos mecanismos de adaptação da espécie.

Estresse oxidativo e ativação de enzimas antioxidantes

No experimento, os cientistas mantiveram camarões em tanques escavados com salinidade de 2‰ e alcalinidade de 300 mg/L, comparando-os a um grupo controle mantido em salinidade de 18‰ e alcalinidade de 180 mg/L. Após dois meses, os animais submetidos à condição salino-alcalina apresentaram aumento significativo na atividade das enzimas antioxidantes superóxido dismutase (SOD), catalase (CAT) e glutationa peroxidase (GSH-Px) no hepatopâncreas, evidenciando uma resposta direta para combater o excesso de radicais livres.

Dano tecidual, apoptose e resposta imune

Embora o sistema antioxidante tenha sido fortalecido, o estresse prolongado causou desgaste ao hepatopâncreas. Os pesquisadores observaram o aumento das enzimas de lesão hepática ALT e AST, associado ao aumento da expressão de genes pró-inflamatórios (TNF, JNK e RAB6A) e de genes indutores de morte celular programada (Caspase3, P53 e BAX). Ao mesmo tempo, o sistema imune nato reagiu de forma sinérgica, aumentando a atividade das enzimas AKP e ACP e a expressão dos genes imunológicos TRAF6, Toll, ALF e Crustin.

Ácido aracdônico como chave da regulação metabólica

A análise metabolômica por cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas revelou a alteração de 1.575 metabolitos no hepatopâncreas. Entre as 14 vias metabólicas significativamente enriquecidas, o metabolismo do ácido aracdônico destacou-se como rota regulatória central. A produção desse mediador lipídico auxiliou na modulação das respostas inflamatórias e na regulação imunológica. Os autores concluem que os achados fornecem bases técnicas cruciais para aperfeiçoar o manejo e a formulação de dietas para o cultivo de Litopenaeus vannamei em regiões salino-alcalinas.

Fonte: Effects of long-term low-salt alkali stress on antioxidant capacity, immune-inflammatory responses, and metabolism in the hepatopancreas of Litopenaeus vannamei

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