O desafio da larvicultura do pirarucu
O cultivo do pirarucu enfrenta gargalos produtivos devido à baixa oferta de alevinos em cativeiro e ao elevado custo da alimentação inicial. O uso exclusivo de Artemia sp. encarece a fase de larvicultura, impulsionando a busca por organismos zooplanctônicos locais. Além disso, a escassez de dietas formuladas especificamente para fases jovens leva produtores a utilizarem rações destinadas a outras espécies carnívoras.
Eficiência da Moina sp. e tamanho ideal de transição alimentar
Os cientistas testaram a substituição de 50% de Artemia sp. por Moina sp. combinada com a transição alimentar em 3 cm, 3,5 cm e 4 cm de comprimento total. Os resultados demonstraram que o uso da Moina sp. não comprometeu o desempenho nem a sobrevivência inicial dos peixes. Entre os tamanhos testados, a transição alimentar aos 4 cm apresentou os melhores indicadores, alcançando 44% de sobrevivência ao final do teste, enquanto os lotes submetidos à transição aos 3 cm e 3,5 cm registraram 0% e 13% de sobrevivência.
Lesões digestivas provocadas pela ração comercial
Apesar da aceitação aparente da dieta inerte, a análise histológica revelou que a ração comercial para truta foi inadequada para a transição alimentar precoce. Os exames microscópicos identificaram dilatação do estômago e intestino, hiperplasia do epitélio, deterioração das vilosidades e severa obstrução do lúmen intestinal por acúmulo de alimento. Por outro lado, o fígado manteve sua citoarquitectura preservada sem lesões aparentes em todos os tratamentos.
Necessidade de nutrição específica
Os achados comprovam que a Moina sp. é uma alternativa viável para reduzir custos na fase de alimento vivo. Contudo, o estudo reforça a necessidade urgente de desenvolver rações de início formuladas especificamente para o pirarucu, contendo ingredientes de alta digestibilidade, como hidrolisados proteicos e fosfolipídeos, para evitar danos digestivos e garantir o sucesso produtivo da transição alimentar.
