Fritura por imersão de ostras e garoupas acumula níveis perigosos de arsênio no óleo

A técnica da fritura por imersão, amplamente utilizada na indústria alimentícia e no processamento de pescados, é o foco de um novo estudo que alerta para um risco invisível à segurança alimentar. Pesquisadores da Hong Kong Polytechnic University, na China, investigaram como elementos potencialmente tóxicos migram dos alimentos para o meio de fritura durante processos repetidos, destacando preocupações específicas com o acúmulo de arsênio.

O caminho do arsênio

O estudo, conduzido com ostras (Crassostrea gigas) e filés de garoupa (Epinephelus stictus), simulou práticas industriais comuns para entender a dinâmica de transferência desses elementos. Ao fritar as ostras em óleo de colza, os pesquisadores observaram um fenômeno preocupante: a concentração de arsênio no óleo atingiu valores significativos, chegando a 567 μg/kg. Esse patamar supera em mais de cinco vezes o limite máximo recomendado pelo Codex Alimentarius, órgão internacional que estabelece normas de segurança alimentar.

Dinâmica de contaminação

A pesquisa demonstra que o óleo de fritura, ao ser reutilizado sucessivamente, atua como um reservatório para resíduos lixiviados dos alimentos. O arsênio presente naturalmente ou acumulado nos tecidos dos organismos aquáticos é transferido para a gordura quente conforme o processo de fritura avança. Embora a garoupa também apresente transferência de elementos, o comportamento específico das ostras, devido à sua natureza filtradora e capacidade de bioacumulação, revelou-se um ponto de atenção crítica na operação industrial.

Implicações para o setor

Os autores do estudo apontam que, embora o risco seja elevado, existem mecanismos para mitigar a contaminação. Estratégias como a filtragem constante do óleo e a utilização de técnicas de empanamento criam barreiras físicas que reduzem a lixiviação direta dos elementos para o óleo. Para a indústria, os resultados sugerem a necessidade de revisões rigorosas nos protocolos de controle de qualidade e gestão do tempo de vida útil dos óleos de fritura, visando garantir que o produto final entregue ao consumidor mantenha os padrões de segurança exigidos globalmente. O estudo reforça a importância do monitoramento contínuo em toda a cadeia de processamento do pescado.

Fonte: Accumulation of arsenic and other potentially toxic elements in oil when deep-frying oyster and grouper fish fillets

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