Camarão branco do Pacífico supera restrições de nova proteína alternativa com aditivo vegetal

A busca global por ingredientes sustentáveis para rações aquícolas tem posicionado as proteínas de organismo unicelular como substitutas promissoras para a farinha de peixe. Contudo, a inclusão excessiva desses insumos frequentemente prejudica o desempenho zootécnico e a saúde dos animais cultivados. Para contornar essa limitação, pesquisadores da Guangdong Ocean University, na China, avaliaram se a inclusão de resveratrol, um composto polifenólico de origem vegetal, poderia mitigar os impactos negativos causados por altos níveis da proteína bacteriana Clostridium autoethanogenum (CAP) em dietas para o camarão-branco-do-pacífico (Litopenaeus vannamei). Os resultados demonstraram que o aditivo funcional restaura o crescimento e protege a integridade do sistema digestório.Durante o experimento de oito semanas, os camarões foram submetidos a diferentes dietas: um controle com farinha de peixe e formulações com alta inclusão de CAP (substituindo 70% da farinha), contendo ou não suplementação de resveratrol nas doses de 400 mg/kg e 800 mg/kg. Os animais alimentados apenas com o nível elevado de proteína bacteriana apresentaram redução significativa no ganho de peso, piora na conversão alimentar e severo estresse oxidativo, além de lesões tecisuais no hepatopâncreas e no intestino. A análise transcriptômica também confirmou a desregulação de genes essenciais para o metabolismo e a desintoxicação do organismo.

Ação antioxidante e regeneração tecidual

A introdução do resveratrol reverteu esse quadro de declínio de maneira expressiva. Os grupos suplementados com o polifenol recuperaram os índices de crescimento e eficiência alimentar, igualando-se ao grupo controle. De acordo com as análises histológicas, o resveratrol reduziu o descolamento celular e preservou a altura dos vilos intestinais, minimizando as injúrias inflamatórias causadas pela dieta restritiva. O composto atuou diretamente na elevação da capacidade antioxidante total e na atividade de enzimas imunológicas essenciais, como a superóxido dismutase e a catalase.

Modulação da microbiota e resistência a patógenos

Outro achado crítico envolveu a modulação da microbiota intestinal. A dieta rica em CAP havia provocado disbiose, reduzindo táxons benéficos e elevando a abundância de bactérias potencialmente patogênicas, como as do gênero Vibrio. A inclusão do resveratrol restabeleceu o equilíbrio microbiano, promovendo o aumento de microrganismos aliados e reduzindo drasticamente a carga de patógenos no trato digestório. Essa reestruturação resultou em maior robustez imunológica: após um desafio biológico com a bactéria Vibrio parahaemolyticus, a taxa de sobrevivência dos camarões tratados com o aditivo vegetal foi significativamente superior à do grupo sem proteção. Os autores concluem que o resveratrol atua como um regulador funcional indispensável para viabilizar formulações com baixo teor de farinha de peixe na carcinicultura moderna.

Fonte: Dietary resveratrol alleviates the negative impact of high-level Clostridium autoethanogenum protein on the growth, immunity, transcriptomic response, and intestinal microflora of Litopenaeus vannamei

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