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    Novo sistema de refrigeração permite o transporte a seco de camarões de água doce com até 98% de sobrevivência

    O transporte tradicional de camarões vivos exige o deslocamento de grandes volumes de água, o que pode representar aproximadamente 75% dos custos logísticos devido ao consumo de combustível e despesas de frete. Além do alto impacto financeiro, a movimentação da água durante o trajeto frequentemente causa estresse e ferimentos físicos nos animais. Para solucionar esse problema na rotina comercial, pesquisadores do Department of Mechanical Engineering da Mahanakorn University of Technology, da Faculty of Management Science da Suan Dusit University e da empresa Mark Cooled Company Limited, instituições localizadas na Tailândia, desenvolveram um sistema padronizado inovador para o transporte a seco do camarão de água doce gigante (Macrobrachium rosenbergii).

    A tecnologia baseia-se em um protótipo de refrigeração que consegue gerar, de maneira simultânea, água gelada a 5°C e água quente a 43°C. O equipamento utiliza um PLC (Controlador Lógico Programável, um computador focado em uso industrial) para gerenciar o momento e o fluxo exato da mistura dessas águas. Na prática, essa precisão permite resfriar a água do tanque em uma taxa de quase dez graus Celsius por hora (9,87 ± 0,63 °C/h). Desta forma, a temperatura corporal dos camarões cai do clima ambiente para 16,5°C entre 60 e 75 minutos. Esse resfriamento contínuo induz os crustáceos a uma anestesia térmica segura, deixando-os imóveis e prontos para a embalagem sem sofrerem choque térmico.

    Após a anestesia térmica, a equipe adotou um processo de embalagem simplificado que elimina a necessidade de usar materiais clássicos como serragem ou fibra de coco. Os animais adormecidos são acomodados em caixas de isopor que contêm uma folha de esponja no fundo para absorver excreções. Por cima deles, coloca-se um tecido fino umedecido e previamente resfriado (entre 2°C e 3°C) com o objetivo de preservar a umidade das brânquias. A caixa é então ensacada, recebe uma injeção de oxigênio puro e é lacrada. O estudo validou com sucesso um protocolo de cinco etapas: aclimatação, anestesia térmica, embalagem que retém umidade, transporte sob temperatura estável entre 16°C e 18°C, e, finalmente, a revitalização do animal em água.

    Os resultados demonstram que a novidade é altamente eficaz para a aquicultura. Em testes que simularam viagens de 8 a 14 horas, a sobrevivência dos camarões variou de 91,3% a 98,65% após serem reintroduzidos na água. Para comprovar o desempenho na estrada, os cientistas realizaram um teste real de transporte de 10 horas em um caminhão refrigerado, ligando a província de Ratchaburi a Chiang Mai, na Tailândia. A viagem resultou em uma taxa média de sobrevivência de 95,63%, consolidando o sistema como uma alternativa escalável e de grande eficiência energética para abastecer mercados exigentes.

    Garantir o envio a seco diminui o trauma físico durante o frete e pode viabilizar novos modelos de negócio na cadeia logística da aquicultura tropical. Caso você queira se aprofundar nos diagramas de refrigeração, conhecer os detalhes técnicos dos trocadores de calor ou revisar mais dados sobre a fisiologia dos camarões, convidamos você a acessar o artigo completo publicado na revista científica Case Studies in Thermal Engineering.

    Fonte: Design and field validation of thermal anesthetization system for waterless live transport of giant freshwater prawn (Macrobrachium rosenbergii)

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