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III Workshop Sul-Brasileiro de Bioflocos: Massa critica de um continente!

Que evento! Nos dias 13 a 15 de junho deste ano foi realizado em Laguna-SC o ‘III Workshop Sul-Brasileiro de Bioflocos’. Depois da UFSC e FURG, agora foi a vez da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), na terra de Anita Garibaldi, sediar este workshop dedicado aos avanços da tecnologia BFT. No total, mais de 100 participantes de diferentes instituições do sul do Brasil e de outras regiões prestigiaram o evento, que contou com palestras que abordaram temas relacionados ao manejo, nutrição e microbiologia aplicada para camarões marinhos, tilápias e peixes nativos cultivados em bioflocos.

Incrível ver como esta tecnologia já está sendo aplicada com sucesso no berçário de tilápias em escala piloto comercial, em espécies como pacu e lambaris, além de sistemas multitróficos integrados com diferentes espécies de peixes e plantas. Tive o prazer de apresentar um pouco dos avanços e o futuro 4.0 na Ásia. Temas como projetos e layouts, aditivos alimentares e fermentados também foram abordados.

Indústria e produtores também estiveram presentes relatando e compartilhando suas experiências, gargalos e necessidades de pesquisa. Mesas-redondas debateram os avanços científicos, tecnológicos e o que falta para essa tecnologia decolar no país (Figura 1). A falta de planejamento e investimentos em mão-de-obra especializada, além de uma nutrição e genética mais customizada foram outros pontos debatidos e levantados como gargalos para um melhor desempenho do sistema.

No terceiro e último dia, os participantes realizaram visitas técnicas guiadas a duas fazendas de carcinicultura da região, sendo que uma delas opera 100% em BFT (Figura 2). O ponto alto do evento foi o alto grau de interação entre os participantes, sejam nas palestras, mesas-redondas ou happy-hour; e também a quantidade de informação de altíssima qualidade gerada e compartilhada pelas instituições. Eu não tenho dúvidas que a experiência acumulada em BFT e a massa crítica que temos atualmente na região sul é muito maior que em muitos continentes (Europa, por exemplo).

Ao longo dos anos, as capacitações e os resultados de P&D gerados pelas instituições vem sendo aplicados direta ou indiretamente no setor produtivo. Para mim e outros envolvidos no setor, a história das pesquisas do BFT no Brasil é sem sombra de dúvidas um case de sucesso, onde a academia e os recursos humanos formados impactam e continuam impactando positivamente na indústria aquícola nacional. O caminho ainda é longo e muitos obstáculos por superar. Doenças, custos de produção, e uma maior previsibilidade nos cultivos são apenas alguns exemplos. Que continuem as pesquisas, parcerias com a iniciativa privada e que venham mais eventos como este!

Até breve!

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