Formulação de microdietas e ensaio de desmame
O estudo acompanhou larvas de Liza aurata entre os 31 e 52 dias pós-eclosão. Os cientistas testaram cinco microdietas: um controle formulado com farinha de lula, três rações com substituição parcial dessa proteína por 10%, 20% e 40% de Arthrospira platensis suplementadas com óleos, minerais e vitaminas, e uma dieta circular contendo 90% de subprodutos do processamento de peixe sem adição de suplementos nutricionais.
Desenvolvimento larval e resposta ao estresse
Os resultados demonstraram que a inclusão de até 40% de Arthrospira platensis manteve o crescimento, a sobrevivência e a resistência ao estresse salino em níveis equivalentes aos do grupo controle. Por outro lado, as larvas alimentadas com a dieta circular não suplementada apresentaram redução significativa de ganho de peso e maior vulnerabilidade ao teste de estresse, embora tenham mantido uma taxa de sobrevivência superior a 90%.
Sanidade óssea e perfil metabólico
As análises osteológicas não apontaram aumento de anomalias esqueléticas graves nos grupos alimentados com Spirulina. Contudo, o lote tratado com subprodutos de peixe apresentou maior incidência de cálculos renais e alteração no perfil de ácidos graxos, indicando limitações causadas pela ausência de suplementação vitamínico-mineral e lipídica. A avaliação histológica revelou maior acúmulo de gordura no fígado e intestino dos grupos com teores mais elevados de Spirulina, associado à formulação lipídica das rações.
Implicações para a aquicultura sustentável
A equipe de investigação concluiu que a Spirulina representa uma alternativa viável e eficiente para substituir parcialmente a farinha marinha na larvicultura de Liza aurata, desde que devidamente fortificada. Da mesma forma, os subprodutos do processamento de peixe demonstraram potencial para estratégias de economia circular, embora exijam complementação nutricional específica para garantir o pleno desenvolvimento e vigor físico das larvas.
