O que o novo relatório da FAO mostra sobre o futuro da aquicultura global?
A aquicultura mundial atingiu um marco inédito em 2024 ao superar a barreira de 100 milhões de toneladas de animais aquáticos produzidos. As informações integram o novo relatório O Estado da Pesca Mundial e da Aquicultura, divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O resultado histórico demonstra que o cultivo passou a responder por mais da metade de toda a produção global do setor, consolidando sua posição central no abastecimento humano.
Em um cenário global pressionado pelo crescimento demográfico e pelas transformações climáticas, o setor surge como a principal ferramenta para expandir a oferta de proteínas de alta qualidade, ácidos graxos essenciais, vitaminas e minerais. Segundo a FAO, cerca de 89% de todo o volume obtido em 2024 foi destinado diretamente à alimentação humana. A trajetória de alta deve se manter nos próximos anos, conforme detalhado no novo relatório, com projeções indicando que a atividade pode chegar a 214 milhões de toneladas até o ano de 2034.
Desempenho brasileiro e o avanço da algicultura
O levantamento internacional aponta que o Brasil responde por 17,4% da produção da aquicultura nas Américas, o primeiro colocado é o Chile (27,8%). Outro destaque do documento é a ascensão global do cultivo de macroalgas, que somou 40 milhões de toneladas em peso úmido no último ano — sendo 97% desse total oriundo da aquicultura. No território brasileiro, a principal espécie cultivada é a Kappaphycus alvarezii, com polos produtivos concentrados nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.
Adaptação climática como pilar de expansão
Para sustentar os números projetados até 2034, a FAO adverte que a atividade precisará superar desafios ligados à economia, à disponibilidade de recursos e às instabilidades ambientais. O relatório propõe um processo estruturado passo a passo para guiar as nações na definição de suas unidades de adaptação climática e na avaliação de cenários futuros. A organização reforça que a segurança alimentar global depende de uma expansão do setor pautada pela inovação tecnológica, pelo planejamento estratégico e pela eficiência no uso dos recursos naturais.
Fontes: FAO
