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    Mudanças climáticas e expansão de represas impulsionam o risco de invasão do tucunaré-amarelo na América Latina

    O tucunaré-amarelo (Cichla ocellaris), um peixe predador de água doce nativo das bacias do Amazonas, Essequibo, Orinoco e Tocantins-Araguaia, está se expandindo rapidamente para novas fronteiras. Muito valorizado na pesca esportiva, no aquarismo “jumbo” e no consumo humano, esse animal tem causado grande preocupação devido aos seus impactos nocivos nos ecossistemas onde não ocorre naturalmente. Para entender a extensão desse problema, um novo estudo conduzido por especialistas de instituições como a Federal University of the State of Rio de Janeiro, a Federal University of São Carlos e a Freie Universität Berlin avaliou o risco futuro de invasão da espécie em diversas regiões do Neotrópico.

    Índice de risco e o impacto das mudanças climáticas

    A equipe científica desenvolveu um índice de avaliação de risco que combina as condições de clima, a diversidade de peixes nativos, a presença de represas e a frequência de ocorrências da espécie. Os resultados indicam que as mudanças climáticas projetadas para as próximas décadas criarão ambientes ainda mais favoráveis para a colonização do tucunaré. As estimativas do modelo preveem um aumento de 5% a 6,5% nas áreas com clima adequado para o animal, impulsionado sobretudo por padrões de chuvas e pelas temperaturas mínimas mais brandas durante o inverno. As ecorregiões do Sul e do Nordeste do Brasil, além da América Central e do Caribe, foram identificadas como as zonas críticas de risco mais alto.

    O papel das represas na invasão biológica

    As represas exercem um papel determinante na facilitação dessa invasão biológica. O tucunaré-amarelo possui uma notável adaptação a ambientes lênticos, ou seja, águas paradas e com maior tempo de residência, que são características típicas dos grandes reservatórios construídos pelo homem. A pesquisa mapeou que quase 8.500 represas, considerando as atuais e as projetadas para o futuro, estão localizadas em áreas avaliadas como altamente adequadas para o estabelecimento do predador. Essas estruturas acabam funcionando como locais de base, ajudando as populações invasoras a se estabelecerem, se reproduzirem e fornecerem indivíduos que se dispersam para rios e bacias vizinhas conectadas.

    Consequências para a biodiversidade e serviços ambientais

    A presença deste predador voraz em águas não nativas traz consequências drásticas para a biodiversidade local e para os serviços ambientais. Os impactos documentados englobam o declínio populacional de peixes nativos devido à predação direta e os efeitos em cascata em toda a cadeia alimentar. Existem evidências que ligam a invasão do tucunaré até mesmo ao aumento de doenças transmitidas por mosquitos, como a malária, uma vez que o predador tende a eliminar os pequenos peixes que se alimentam de larvas de insetos. Diante do cenário preocupante, o estudo defende a necessidade de direcionar recursos imediatos para o controle da invasão nas áreas classificadas com risco muito alto, aplicando políticas e regulamentações rigorosas sobre o transporte e comércio do peixe.

    A importância de prever padrões de invasão

    Compreender e prever os padrões de invasão com ferramentas modernas é fundamental para proteger a diversidade dos nossos rios e apoiar o manejo inteligente dos ecossistemas aquáticos. Convidamos você, leitor do portal aquaculturebrasil.com.br, a acessar o artigo completo na literatura científica caso queira se aprofundar na metodologia, visualizar os gráficos de projeção ambiental e entender a fundo a construção do índice de risco.

    Fonte: Future invasion risk assessment of the peacock bass in Neotropical ecoregions: A conceptual and testable model

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