O estudo avaliou a reprodução de pares de peixes isolados em recintos de rede, conhecidos no setor como “hapas”. Inicialmente, os cientistas tentaram realizar o cruzamento em tanques de cimento cobertos, entre o início de abril e meados de junho, mas não obtiveram sucesso na reprodução dentro desse período. A situação mudou quando os casais foram transferidos para viveiros de terra ao ar livre. Nesse novo ambiente, as reproduções começaram a dar certo, ocorrendo com sucesso entre os meses de maio e novembro, com exceção dos meses de agosto e outubro.
A grande surpresa da pesquisa surgiu ao analisar os filhotes gerados por esses cruzamentos interspecíficos, ou seja, entre espécies diferentes. Quando os pesquisadores cruzaram fêmeas da tilápia de Moçambique com machos da tilápia do Nilo, o resultado foi uma primeira geração (F1) formada inteiramente por fêmeas. Esse é um desfecho inédito e inesperado, já que, no cruzamento inverso utilizando fêmeas do Nilo e machos de Moçambique, a proporção de filhotes machos e fêmeas foi de praticamente um para um.
Para o produtor prático, essa descoberta traz lições valiosas para o manejo da fazenda. Tradicionalmente, a aquicultura busca a produção de populações compostas apenas por machos, pois eles apresentam um crescimento mais rápido. O surgimento de uma geração totalmente fêmea serve como um alerta sobre a complexidade genética desses cruzamentos híbridos. O estudo sugere que os criadores tenham cautela e evitem o cruzamento de fêmeas de Moçambique com machos do Nilo, recomendando o uso da via inversa para prevenir resultados indesejados na produção de alevinos.
Compreender a genética e o comportamento reprodutivo das tilápias é um passo fundamental para tornar a aquicultura mais eficiente e previsível. Se você deseja se aprofundar nos detalhes genéticos, nas taxas de sucesso de cada cruzamento e nas metodologias de manejo aplicadas, convidamos você a acessar e ler o artigo completo na publicação original.










