Iguaria de alto padrão internacional
O que inicialmente gerou dúvidas entre clientes (que chegaram a relatar aos produtores um aspecto “mofado” nos moluscos) é, na verdade, um cobiçado diferencial de mercado. A coloração inusitada é provocada pela proliferação de diatomáceas.
Segundo as análises iniciais, a microalga pertence à espécie Haslea ostrearia. Esse organismo produz um pigmento azul chamado marennina, que confere o tom esverdeado ao interagir com o molusco, enriquecendo nutricionalmente ostras, vieiras e mexilhões.

O fenômeno é um velho conhecido da alta gastronomia europeia. Na região de Marennes-Oléron, na França, as huîtres vertes (ostras verdes) possuem a certificação Label Rouge do governo francês, sendo comercializadas como uma iguaria de qualidade superior.

Investigação e monitoramento ambiental
O engenheiro de Aquicultura e pesquisador da UFSC, Gabriel Filipe Faria Graff, explica que a ocorrência de ostras verdes em Santa Catarina é rara, tendo sido observada em apenas duas ocasiões há mais de dez anos. A atual floração pegou os cientistas de surpresa.
A equipe do Laboratório de Biotecnologia e Saúde Marinha (LaBIOMARIS) partiu agora para novas investigações. A primeira etapa é a análise molecular para cravar a identificação exata da espécie encontrada nas águas catarinenses.
O passo seguinte é entender o gatilho ambiental do evento. “A ideia é observar aspectos como as correntes marítimas, ondas de calor, vento, condições ambientais em geral e cruzar essas informações para verificar o que pode ter favorecido a repetição do fenômeno”, detalha Gabriel.
O objetivo futuro dos cientistas é utilizar esses dados climáticos e oceanográficos para viabilizar as condições ideais de cultivo da microalga em ambiente controlado de laboratório.
Biotecnologia e potencial farmacêutico
A descoberta recente teve início no campo. O produtor Vinicius Ramos, da Fazenda Marinha Paraíso das Ostras, acionou os pesquisadores após identificar a coloração nas lanternas de cultivo da Baía Sul. O fenômeno, até o momento, não apareceu na Baía Norte.
As análises realizadas em parceria com o Laboratório de Ficologia (LAFIC) da UFSC confirmaram a presença do gênero Haslea, reativando o entusiasmo da comunidade científica local.
“Essa microalga tem grande potencial inclusive para aplicações biotecnológicas, como na produção de alimentos e até na área farmacêutica”, ressalta o professor Rafael Diego da Rosa, coordenador no Brasil da rede de pesquisa EcoHealth4Sea.
Os trabalhos de pesquisa e monitoramento continuam em andamento, reunindo os especialistas do LaBIOMARIS e do LAFIC, incluindo os professores Leonardo Rubi Rörig, Carlos Yure Barbosa Oliveira e a pesquisadora Bruna Rodrigues Moreira.

Fonte da matéria: Notícias UFSC / Ana Paula Lückman




