Corvina exige inclusão moderada de insetos na ração para manter sustentabilidade

A busca por alternativas sustentáveis à farinha de peixe ganhou um novo capítulo com o primeiro mapeamento ambiental detalhado do uso de insetos na dieta da corvina-legítima (Argyrosomus regius). Cientistas das universidades de Milão, Turim e do Porto, em parceria com o CIIMAR, avaliaram a substituição proteica por meio de uma Análise de Ciclo de Vida. O estudo experimental revelou que taxas moderadas de inclusão reduzem a pressão sobre recursos marinhos sem comprometer a eficiência zootécnica no cultivo.

O desafio da proteína na ração

A aquicultura enfrenta uma necessidade urgente de reduzir a dependência da farinha de peixe tradicional. Esse insumo de alto impacto está associado à sobrepesca, degradação ecossistêmica e forte volatilidade de preços no mercado global. Embora fontes vegetais como o farelo de soja mitiguem esses problemas, elas trazem fatores antinutricionais que reduzem a absorção de nutrientes pelos peixes carnívoros, além de gerarem preocupações ligadas ao desmatamento.

Cientistas testam rações com larvas

Como alternativa circular, os pesquisadores avaliaram a farinha da larva da mosca-soldado-negra (Hermetia illucens) na alimentação da espécie. Os insetos foram criados na Itália com um substrato composto por farelo de trigo, milho e alfafa. Na Estação de Zoologia Marinha da Universidade do Porto, em Portugal, juvenis de corvina-legítima foram alimentados por nove semanas em sistemas de recirculação (RAS) com quatro dietas distintas: uma ração controle e três formulações contendo 10%, 20% e 30% de farinha de inseto.

Eficiência biológica dita a pegada ecológica

Os resultados demonstraram um cenário complexo de compensações ecológicas. Isoladamente, a fabricação da ração com 30% de insetos apresentou ótimos indicadores, reduzindo a destruição da camada de ozônio em 45% e o uso de produção primária líquida em 40%. No entanto, ao analisar o ciclo completo até o ganho de peso do peixe, essa inclusão máxima elevou o impacto de mudança climática em 22%. Esse aumento ocorreu porque a taxa de conversão alimentar piorou de 0,80 para 0,97, impulsionada pela menor digestibilidade causada pelo teor de quitina no exoesqueleto do inseto.

Inclusão moderada surge como rota viável

Por outro lado, as dietas contendo entre 10% e 20% de farinha de inseto atingiram o desempenho mais equilibrado. Elas reduziram a toxicidade humana e melhoraram categorias ligadas à eutrofização sem provocar aumentos expressivos nas emissões de gases de efeito estufa ou no uso de recursos minerais. Os autores destacam que manter a eficiência zootécnica é vital, pois qualquer piora na conversão eleva o consumo total de alimento e a excreção de compostos de nitrogênio e fósforo na água.

O estudo conclui que a farinha de mosca-soldado-negra constitui uma proteína alternativa viável para a consolidação da corvina-legítima na aquicultura mediterrânea, desde que respeitados os limites biológicos do animal. A otimização futura da cadeia de insetos, com uso de energias renováveis e ganho de escala industrial, tende a tornar esse insumo ainda mais competitivo e ecoeficiente a longo prazo.

Fonte: Towards cleaner aquaculture: assessing the environmental performance of meagre (Argyrosomus regius) fed with insect meal (Hermetia illucens)

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