Dados de cinco décadas confirmam avanço térmico e riscos sanitários
A partir da análise de dados diários de temperatura da superfície do mar entre 1969 e 2018, os cientistas registraram uma taxa de aquecimento contínuo de 0,032 °C ao ano na região. Paralelamente, a frequência de ondas de calor marinhas aumentou 5,1% ao ano. Esse aquecimento amplia as janelas ambientais em que bactérias do gênero Vibrio prosperam. Quando a água ultrapassa 15 °C, elevam-se os riscos de contaminação por Vibrio parahaemolyticus, causador de gastroenterite em humanos. Já patógenos como Vibrio aestuarianus ganham força sob temperaturas acima de 19 °C, desencadeando mortalidades estivais massivas nas fazendas.
Impacto na produção e oscilações associadas ao El Niño
A proliferação bacteriana e as restrições sanitárias deixaram marcas profundas na economia local. A avaliação dos dados de produção entre 1986 e 2023 demonstrou uma estagnação no setor ostreícola canadense desde 2002. Antes dessa data, a produção crescia a um ritmo de 272,7 toneladas ao ano, caindo para apenas 1,7 tonelada anual no período subsequente. Além disso, o estudo identificou o papel do ciclo El Niño-Oscilação do Sul: durante fases de El Niño, as ondas de calor duraram em média 24% mais tempo, enquanto em períodos neutros, a intensidade térmica foi 23% superior.
Adaptação de manejo como caminho para a sustentabilidade
Para mitigar as perdas e proteger o fornecimento do alimento, os autores destacam o potencial de estratégias de aclimatação e condicionamento térmico prévio. Testes indicam que o cultivo intercalado entre a zona entremarés (exposta a variações diárias) e a zona submersa pode aumentar a sobrevivência das ostras em até 20% em comparação ao cultivo exclusivamente suspenso. Combinar técnicas de manejo adaptativo com o monitoramento contínuo das janelas de risco surge como o caminho mais promissor para proteger a atividade frente à imprevisibilidade do clima.
