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Elevação térmica no mar impulsiona surtos de Vibrio e estagna ostreicultura canadense

Historicamente, a ostreicultura em estuários temperados mantinha índices de mortalidade baixos e previsíveis, amparada pela estabilidade térmica das águas costeiras. No entanto, o avanço das mudanças climáticas globais alterou esse cenário no Pacífico canadense. Uma pesquisa conduzida pela Vancouver Island University, pela Fisheries and Oceans Canada e pela British Columbia Shellfish Growers Association revelou como o aquecimento oceânico progressivo e as ondas de calor marinhas estão desestabilizando o cultivo da ostra-pacífica (Crassostrea gigas) em Baynes Sound, Colúmbia Britânica.

Dados de cinco décadas confirmam avanço térmico e riscos sanitários

A partir da análise de dados diários de temperatura da superfície do mar entre 1969 e 2018, os cientistas registraram uma taxa de aquecimento contínuo de 0,032 °C ao ano na região. Paralelamente, a frequência de ondas de calor marinhas aumentou 5,1% ao ano. Esse aquecimento amplia as janelas ambientais em que bactérias do gênero Vibrio prosperam. Quando a água ultrapassa 15 °C, elevam-se os riscos de contaminação por Vibrio parahaemolyticus, causador de gastroenterite em humanos. Já patógenos como Vibrio aestuarianus ganham força sob temperaturas acima de 19 °C, desencadeando mortalidades estivais massivas nas fazendas.

Impacto na produção e oscilações associadas ao El Niño

A proliferação bacteriana e as restrições sanitárias deixaram marcas profundas na economia local. A avaliação dos dados de produção entre 1986 e 2023 demonstrou uma estagnação no setor ostreícola canadense desde 2002. Antes dessa data, a produção crescia a um ritmo de 272,7 toneladas ao ano, caindo para apenas 1,7 tonelada anual no período subsequente. Além disso, o estudo identificou o papel do ciclo El Niño-Oscilação do Sul: durante fases de El Niño, as ondas de calor duraram em média 24% mais tempo, enquanto em períodos neutros, a intensidade térmica foi 23% superior.

Adaptação de manejo como caminho para a sustentabilidade

Para mitigar as perdas e proteger o fornecimento do alimento, os autores destacam o potencial de estratégias de aclimatação e condicionamento térmico prévio. Testes indicam que o cultivo intercalado entre a zona entremarés (exposta a variações diárias) e a zona submersa pode aumentar a sobrevivência das ostras em até 20% em comparação ao cultivo exclusivamente suspenso. Combinar técnicas de manejo adaptativo com o monitoramento contínuo das janelas de risco surge como o caminho mais promissor para proteger a atividade frente à imprevisibilidade do clima.

Fonte: Bivalve aquaculture under climate change: A case study of marine heatwaves and shellfish-related Vibrio disease outbreaks in Baynes Sound, British Columbia, Canada

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