SOFIA 2026: Aquicultura cada vez mais forte no relatório do Estado Mundial da Pesca e Aquicultura 2026 da FAO

A pesca e a aquicultura mundiais alcançaram um novo recorde de produção em 2024. Foram 235 milhões de toneladas no total, segundo o relatório O Estado Mundial da Pesca e Aquicultura 2026, publicado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Desse volume, 195 milhões de toneladas correspondem a animais aquáticos e 40 milhões de toneladas a algas.

O dado mais relevante para o setor é o avanço da aquicultura, ou seja, o cultivo de organismos aquáticos como peixes, camarões, moluscos e algas. Ela respondeu por 60% de toda a produção e se consolidou como a principal fonte de pescado do mundo.

Aquicultura ultrapassa a pesca extrativa

A produção de animais aquáticos cultivados chegou a 103 milhões de toneladas, o maior valor já registrado. Isso representa 53% de toda a produção de animais aquáticos e mais de 59% do que é destinado ao consumo humano. A aquicultura já havia superado a pesca extrativa, que é a captura de animais selvagens em rios e no mar, em 2021. Desde então, segue como o motor do crescimento do setor.

A produção, porém, é concentrada. A Ásia responde por 89% dos animais aquáticos cultivados no mundo. Os cinco maiores produtores (China, Índia, Indonésia, Vietnã e Bangladesh) somam 82% do total. O cultivo em água doce domina, com 64 milhões de toneladas (63%), enquanto a produção marinha e costeira soma 38 milhões de toneladas (37%).

A América Latina e o Caribe ainda têm participação modesta, com 4% dos animais aquáticos cultivados. A FAO vê nessa concentração uma oportunidade. Regiões com potencial pouco explorado, como a África, podem crescer muito com políticas específicas, apoio técnico e investimento.

Pesca extrativa estável e atenção aos estoques

A pesca extrativa se manteve estável, em 92 milhões de toneladas. A pesca marinha continua sendo a principal fonte de animais aquáticos selvagens, com cerca de 80 milhões de toneladas. Já a pesca em águas continentais, feita em rios, lagos e reservatórios, bateu recorde, com 12,3 milhões de toneladas.

A preocupação está na saúde dos estoques pesqueiros, isto é, das populações de peixes exploradas comercialmente. A parcela de estoques marinhos dentro de níveis biologicamente sustentáveis caiu para 62,4% em 2023, ante 64,5% em 2021. Quando o cálculo considera o volume capturado, o quadro melhora: 72,6% do pescado vem de antes de estoques explorados de forma sustentável. Isso indica que os estoques maiores costumam ser mais bem geridos.

Pescado na mesa e no comércio

O pescado ganha peso na alimentação mundial. Em 2024, 89% da produção foi destinada ao consumo humano, com média de 21,3 kg por pessoa ao ano. O setor também emprega 65 milhões de pessoas na produção primária e sustenta, ao menos em parte, mais de 600 milhões de meios de vida.

O comércio internacional de produtos aquáticos movimentou US$ 186 bilhões e envolvou 230 países e territórios. O acesso, no entanto, segue desigual. A África registra a menor disponibilidade por pessoa do mundo, com 9,1 kg, apesar de depender fortemente do pescado como fonte de proteína animal.

Brasil aparece em inovação na pesca

O Brasil é citado no relatório entre os países que testaram com sucesso novos petrechos de pesca. São equipamentos biodegradáveis que reduzem a chamada pesca fantasma, situação em que redes e outros artefatos perdidos ou abandonados no mar seguem capturando animais. Os testes ocorreram também na Indonésia e no Quênia.

O que esperar até 2034

As projeções da FAO indicam crescimento contínuo, ainda que em ritmo mais lento. A produção de animais aquáticos deve chegar a 214 milhões de toneladas em 2034. A aquicultura puxará esse avanço, com previsão de 119 milhões de toneladas, enquanto a pesca extrativa deve se recuperar para cerca de 95 milhões de toneladas. A disponibilidade média por pessoa deve subir de 21,3 kg para 21,9 kg.

Todo esse cenário se apoia na Transformação Azul, plano lançado pela FAO em 2021 para tornar a pesca e a aquicultura mais sustentáveis. A meta combina ampliar a produção, gerir bem todos os pesqueiros e melhorar as cadeias produtivas, de modo que o crescimento chegue de forma mais equilibrada às diferentes regiões.

Faça download do pdf clicando para versão completa ou versão resumida!

- Advertisement -
MSD

Por que estou vendo isso?

Para manter o conteúdo 100% gratuito, a Aquaculture Brasil conta com o apoio de parceiros referência no setor.

Visitar parceiro →
- Advertisment -
MSD

Por que estou vendo isso?

Para manter o conteúdo 100% gratuito, a Aquaculture Brasil conta com o apoio de parceiros referência no setor.

Visitar parceiro →

Veja também

Posts relacionados