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Estamos vendendo bem nosso peixe?

Nas duas primeiras semanas do mês de setembro o setor da aquicultura e pesca se reúne com um só objetivo: estimular o consumo de pescado. A “Semana do Pescado” está em sua 20ª edição, incentivando o consumo e a comercialização, divulgando ações em todo o Brasil. Criada inicialmente pelo governo federal, hoje esta campanha é coordenada pelo setor privado da pesca e da aquicultura.

Vamos aos dados. O brasileiro consome em média 10,5 kg de peixes ao ano, muito distante dos 20,2 kg/habitante/ano da média mundial e abaixo dos 12 kg/habitante/ano recomendados pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura). Metade do pescado consumido no mundo, e também no Brasil, é proveniente da aquicultura.

Reflita: é menos de um quilo de peixe consumido por mês; em 60 refeições principais (se somarmos o almoço e o jantar), são apenas 200 gramas por semana. Se ingerirmos duas refeições semanais de pescado, com cerca de 150 gramas a cada por porção, já somaríamos mais de 14 kg/habitante/ano. Comparando com a carne do frango, proteína que é consumida, em média, entre duas a três vezes por semana, completando 48 kg/habitante/ano, dos 24,8 kg/habitante/ano de carne bovina e dos 20,5 kg/habitante/ano de carne suína no Brasil (ABPA, Peixe BR e ABCS).

Sabemos que a quantidade de pescado que vai à mesa do brasileiro está estreitamente relacionada a questões regionais, culturais e até mesmo religiosas, se concentrando, principalmente, na Semana Santa e no Natal. E o que nós, do setor, podemos fazer para incrementar o aumento e diversificação desse consumo? Será que recai em nós a responsabilidade de também saber vender melhor o “nosso peixe”?

Eu acredito que sim. É também nosso o dever, como profissionais que atuam com proteína aquática, divulgarmos mais e melhor os benefícios para a saúde e bem-estar que a ingestão de pescado proporciona, indo além da porteira das propriedades, lição que aprendi com as referências no setor, Fábio Sussel e Letícia Fernanda Baptiston.

É preciso falarmos mais dos inúmeros benefícios, da saudabilidade, e, principalmente, destacar que há opções de produtos versáteis e práticos para o preparo na cozinha. As possibilidades são muitas, desde a elabora de um filé grelhado em menos de 5 minutos, até preparações mais elaboradas, como um peixe inteiro eviscerado recheado ao forno ou na churrasqueira (brasa).

Você sabia que são mais de 650 espécies de pescado cultivadas no mundo? Isso representa 16% da proteína animal consumida, a fonte de proteína animal mais importante para alimentação humana no mundo. Há dezenas de espécies cultivadas no Brasil, como, tilápia, pacu, tambaqui, pirapitinga, carpas, jundiás, pintados, pirarucu, trutas, lambaris, panga, matrinxã, camarão marinho, camarão de água doce, mariscos, ostras, vieiras, rãs e muitas outras.

Os produtos procedentes da aquicultura, hoje em dia, são facilmente encontrados em mercados, peixarias, pesqueiros ou nas fazendas de cultivo (onde há até a possibilidade de atividades de turismo rural, agregando valor ao produto).

Os cortes e a apresentação podem variar de acordo com o gosto e o bolso de cada consumidor: filé, lombo, peixe inteiro eviscerado, espalmado, em banda, posta, costelinha, isca, desfiado, moído, carne mecanicamente separada (CMS), desossado, carpaccio, medalhão e, até mesmo, a pele, que se transformar num delicioso petisco.

O preparo também pode variar, caracterizando e ressaltando a versatilidade do pescado. Pode ser grelhado, frito, assado, na brasa, cru, salgado, defumado, em conserva, enlatado, marinado, selado, empanado, ensopado… Não precisa ser um especialista na cozinha para preparar pratos deliciosos à base de pescado, seja um simples aperitivo, uma entrada ou até o prato principal, dependendo apenas da sua criatividade e tempo!

Segundo pesquisa publicada pela Peixe BR (Associação Brasileira da Piscicultura), cerca de 28% dos consumidores decidem pela compra do pescado antes de sair de casa; o restante decide sua compra no ponto de venda. Vejam só a importância de um ponto de venda, conhecidos como PDV, atrativo, variado e competitivo frente aos demais produtos cárneos! É cada vez mais comum nos supermercados e peixarias novos cortes, porcionamentos, pratos prontos, apresentações de pescado, tornando o produto ainda mais atrativo.

Temos diversas opções de produtos para sermos mais competitivos nos pontos de venda, além do mais, vendemos saúde, praticidade, versatilidade, sabor e preocupação com o bem-estar animal e meio ambiente. Precisamos aprimorar nossa visão estratégica para fomentar o consumo de pescado ao longo de todo o ano.

Outro aspecto importante a ressaltar é a valorização do papel que desempenham os aquicultores, dando-lhes visibilidade, honrando o seu trabalho e sua dedicação na produção de alimentos saudáveis, de qualidade, padronizados, garantindo segurança alimentar.

Fica aqui o meu convite para fazermos, todos juntos, a nossa parte, participando, propagando e estimulando as ações das campanhas “Semana do Pescado” e “Coma mais Peixe”.

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