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    Patagônia Chilena: como funciona a produção de salmão que abastece o Brasil e os mercados globais

    A Patagônia Chilena consolidou-se como uma das regiões mais estratégicas do mundo para a produção de salmão cultivado. A região desempenha papel central no abastecimento de mercados internacionais. Entre eles, o Brasil se destaca como um dos principais destinos do pescado chileno.

    Além das condições naturais, a atividade depende de tecnologia avançada e de uma cadeia logística complexa. Esses fatores permitem a operação aquícola em um dos ambientes mais extremos do planeta.

    Produção de salmão no Chile

    A produção de salmão na Patagônia está concentrada em grandes operações aquícolas. Atualmente, a companhia AquaChile, é responsável por uma das maiores produções, cerca de 4 mil toneladas mensais de salmão. Desse total, 73% são destinados à América Latina. Além disso, aproximadamente 87% desse volume têm como destino o Brasil, principal mercado consumidor da empresa na região.

    Ciclo produtivo do salmão cultivado

    O ciclo produtivo do salmão começa em centros especializados de reprodução e genética. Nesses locais, são utilizadas ferramentas modernas para melhorar o desempenho zootécnico dos peixes. Como resultado, há maior padronização e redução das taxas de mortalidade.

    Ovas de salmão em centro de genética e reprodução na Patagônia Chilena
    Ovas de salmão do centro de genética e reprodução. Foto: Reprodução Forbes

    Em seguida, os peixes passam pelos incubatórios de água doce. Somente após esse período, tornam-se smolts, fase em que estão preparados para o ambiente marinho.

    Posteriormente, os smolts são transferidos para os centros de cultivo marinho, conhecidos como Centro-Mar. Nessas estruturas, instaladas em áreas costeiras, os peixes permanecem em tanques-rede por 12 a 18 meses. Assim, atingem o peso adequado para o abate.

    Considerando todas as etapas, do incubatório ao ciclo final, o processo produtivo pode levar de dois a três anos.

    Desafios ambientais da Patagônia Chilena

    O ambiente natural da Patagônia impõe desafios constantes à salmonicultura. Ventos polares e temperaturas abaixo de zero são comuns durante parte do ano.

    Além disso, o monitoramento contínuo de parâmetros como oxigênio dissolvido, salinidade e temperatura da água é essencial. Nesse sentido, o controle ambiental rigoroso é determinante para a saúde e o crescimento dos peixes em alto-mar.

    Logística e mercado brasileiro

    Enquanto a produção avança, a logística permanece como um dos principais desafios do setor. Garantir a qualidade do salmão até os mercados consumidores exige planejamento e custos elevados.

    Em 2024, o Brasil importou 116,6 mil toneladas de salmão. O valor total das importações chegou a US$ 874,1 milhões, o maior volume registrado nos últimos cinco anos.

    Desse montante, US$ 873,3 milhões tiveram origem no Chile. Portanto, os números reforçam a forte dependência do mercado brasileiro em relação à produção chilena.

    Apesar dos desafios logísticos, a Patagônia Chilena segue como uma das principais fronteiras globais da salmonicultura. Assim, a região conecta ambientes extremos do sul do continente aos maiores centros consumidores da América Latina.

    Saiba mais: Uma Viagem À Gelada Patagônia Chilena, a Última Fronteira do Salmão

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