A piscicultura brasileira atravessou o ano de 2025 entre avanços produtivos e desafios estruturais que continuam a limitar o pleno desenvolvimento do setor. De modo geral, houve progresso em tecnologia, profissionalização e diversificação de mercados. No entanto, fatores econômicos, regulatórios e comerciais exigiram atenção constante dos produtores e das entidades representativas.
Crescimento produtivo e consolidação do setor
Ao longo do ano, a piscicultura manteve sua relevância como um dos principais segmentos da aquicultura nacional. Em especial, a produção seguiu concentrada em espécies já consolidadas, com destaque para a tilápia, que permaneceu na liderança do volume cultivado. Além disso, ganhos de eficiência produtiva, avanços em melhoramento genético e maior profissionalização contribuíram para resultados positivos em diversas regiões.
Outro fator relevante foi o fortalecimento do mercado interno. Nesse contexto, o consumo de pescado cultivado manteve trajetória de crescimento em 2025. Esse desempenho foi apoiado, principalmente, por campanhas de estímulo ao consumo, maior presença do produto no varejo e ampliação da oferta de cortes e produtos processados. Assim, o mercado doméstico ajudou a compensar, ao menos em parte, o desempenho mais fraco das exportações.
Desafios econômicos e ambientais
Por outro lado, os desafios econômicos foram expressivos ao longo do ano. O aumento nos custos de produção, especialmente o preço da ração, pressionou as margens de rentabilidade. Como resultado, produtores de pequeno e médio porte foram os mais impactados, enfrentando maior dificuldade para manter investimentos e ampliar a atividade.
Além dos custos, questões ambientais e regulatórias continuaram a influenciar o ritmo de expansão do setor. Ao longo de 2025, debates sobre licenciamento ambiental, uso de recursos hídricos e exigências de sustentabilidade estiveram no centro das discussões. Dessa forma, essas condicionantes passaram a pesar diretamente nas decisões de novos projetos e ampliações da produção.
Importações e concorrência internacional
Outro ponto sensível para a piscicultura brasileira em 2025 foi a liberação da importação de tilápia do Vietnã. De acordo com Francisco Medeiros, representante da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), existem assimetrias relevantes entre os dois países.
“Há protocolos permitidos no Vietnã que não são autorizados no Brasil. Além disso, não há equivalência tributária, ambiental ou trabalhista. Por isso, estamos cobrando das autoridades a correção dessas não conformidades para garantir concorrência justa”, afirmou Medeiros.
Perspectivas para 2026
Por fim, as perspectivas para 2026 indicam continuidade do crescimento da piscicultura brasileira, desde que haja maior estabilidade nas políticas públicas. Segundo avaliação das entidades do setor, o acesso facilitado ao crédito, aliado à manutenção dos investimentos em pesquisa, inovação e capacitação técnica, será determinante para o desempenho futuro.
Assim, a expectativa é de um ambiente mais previsível e favorável à produção, contribuindo para o fortalecimento da cadeia aquícola nacional e para o aumento da competitividade da piscicultura brasileira nos próximos anos.
Fonte: Piscicultura brasileira viveu altos e baixos em 2025, diz associação










