Desafio ambiental no cultivo intensivo
A amônia acumulada nos sistemas de cultivo intensivo representa um dos maiores gargalos da piscicultura. Em carnívoros de alto valor comercial, como a garoupa híbrida, o excesso desse composto gera estresse oxidativo, compromete a imunidade e causa lesões nos órgãos vitais. Diante disso, os cientistas testaram o produto Dyvon Lumensa incorporado à ração comercial em concentrações de 0 (controle), 0,25, 0,75 e 2,00 mL por quilo de alimento. O ensaio alimentou os peixes durante oito semanas, seguido de uma semana de desafio agudo com amônia.
Melhoria no crescimento e na saúde intestinal
Ao final do período de alimentação, a dose de 0,75 mL/kg de pós-bióticos promoveu os melhores resultados zootécnicos. Os animais desse grupo apresentaram a maior taxa de ganho de peso e o menor índice de conversão alimentar, que caiu de 1,27 no controle para 1,06. O exame histológico revelou um aumento significativo no comprimento dos vilos intestinais e na espessura muscular do intestino médio, expandindo a área de absorção de nutrientes.
Equilíbrio da microbiota e fortalecimento imune
A suplementação também reconfigurou o microbioma intestinal da garoupa híbrida. Nas doses de 0,25 e 0,75 mL/kg, houve uma redução marcante na abundância de gêneros patogênicos como Vibrio, Pseudoalteromonas e Aeromonas, enquanto bactérias benéficas como Bacillus, Bacteroides e Faecalibacterium foram enriquecidas. No fígado, a atividade de enzimas antioxidantes e imunológicas, como superóxido dismutase (SOD), catalase (CAT), fosfatase ácida (ACP) e fosfatase alcalina (AKP), aumentou expressivamente, enquanto os níveis do marcador de dano oxidativo malondialdeído (MDA) caíram.
Proteção hepática e resposta anti-inflamatória
Submetidos à amônia por sete dias, os peixes tratados com pós-bióticos demonstraram maior resiliência. As taxas de sobrevivência foram significativamente superiores às do grupo controle, alcançando os melhores índices nas doses de 0,75 e 2,00 mL/kg. A análise molecular mostrou que os pós-bióticos suprimiram a expressão de genes pró-inflamatórios (il-1, il-6 e nf-xb) e estimularam o gene anti-inflamatório tgf-β. Histologicamente, o grupo suplementado com 2,00 mL/kg manteve a integridade estrutural dos hepatócitos, enquanto o grupo controle sofreu severa degradação tecidual. Os autores concluíram que a dose de 0,75 mL/kg otimiza a nutrição e o crescimento, mas doses de até 2,00 mL/kg oferecem proteção superior sob estresse severo por amônia.
