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    Estudo revela como o estresse agudo impacta o sistema reprodutivo do robalo europeu de forma variada ao longo do dia

    O manejo em sistemas de aquicultura, como o transporte e a exposição ao ar, pode afetar drasticamente a saúde e a reprodução dos peixes. Pesquisadores da Universidade de Cádiz e da Universidade de Murcia, na Espanha, publicaram um estudo na revista Aquaculture que demonstra, pela primeira vez em peixes, que o sistema neuroendócrino reprodutivo do robalo europeu (Dicentrarchus labrax) responde ao estresse de maneira diferente dependendo da região do cérebro e da hora do dia.

    Neurohormônios sob Pressão

    O estudo focou em como o estresse agudo (exposição ao ar por 1 minuto) afeta genes cruciais para a reprodução:

    • Gnih (Hormônio Inibidor de Gonadotrofina): Este gene, que geralmente inibe processos reprodutivos, sofreu uma elevação acentuada (up-regulation) no cérebro anterior.
    • Gnrh2 e Gnrh3 (Hormônios Liberadores de Gonadotrofina): O estresse causou o aumento do gnrh2 no mesencéfalo e a supressão do gnrh3 no telencéfalo.
    • Kiss2 (Quispeptina): Um sistema estimulador que também teve sua expressão alterada em janelas temporais específicas.

    Sensibilidade Noturna e Ritmos Diários

    Um dos achados mais importantes é que o robalo europeu — uma espécie considerada diurna — é significativamente mais sensível ao estresse durante a fase de repouso (noite).

    • Resposta Amplificada: A maioria das respostas ao estresse foi mais alta no final do dia e, especialmente, durante a noite.
    • Quebra de Ritmos: O estresse agudo alterou o perfil rítmico do gnih e fez com que o ritmo diário do gene gnrh3 desaparecesse completamente.
    • Resiliência Matinal: Os efeitos do estresse foram menos pronunciados no início da manhã, logo após o início da fase ativa dos peixes.

    Implicações para a Aquicultura Prática

    Essas descobertas têm aplicações diretas para o bem-estar animal e a eficiência produtiva. O estudo sugere que o manejo de reprodutores e estoques deve ser cuidadosamente planejado para evitar os períodos de maior sensibilidade neuroendócrina.

    Realizar procedimentos estressantes no início do dia pode ser menos prejudicial ao eixo reprodutivo do que fazê-lo durante a noite, protegendo a integridade hormonal dos peixes. Para uma análise detalhada dos mapas neuroanatômicos e das interações entre cortisol e melatonina citadas, convidamos você a acessar o artigo completo na plataforma Elsevier.

    Fonte: Acute stress differentially affects the reproductive neuroendocrine systemsof the European sea bass in a daily- and region-dependent manner

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