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    Levantamento inédito identifica 132 contaminantes emergentes na aquicultura brasileira

    Uma revisão sistemática recente trouxe luz a um desafio crescente para a produção de organismos aquáticos no país: a presença dos chamados contaminantes de preocupação emergente. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com outras instituições, analisou 42 trabalhos científicos publicados entre 2001 e 2023. O levantamento identificou a ocorrência de 132 contaminantes diferentes em áreas de aquicultura, variando desde pesticidas e fármacos até hormônios e microplásticos.
     

    A análise geográfica dos dados revelou uma forte concentração de pesquisas nas regiões Sul e Sudeste, com o estado de São Paulo liderando o número de publicações, seguido por Rio de Janeiro e Santa Catarina. O estudo aponta uma lacuna significativa de informações sobre a região Norte e sobre espécies nativas de grande relevância econômica, como o Tambaqui, que possuem poucos dados toxicológicos disponíveis na literatura atual. Como reflexo dessa distribuição, a Tilápia-do-Nilo foi a espécie mais estudada, seguida por moluscos como mexilhões.

    Entre as substâncias encontradas, os pesticidas e os produtos farmacêuticos foram as classes mais prevalentes. Foram detectados antibióticos utilizados no manejo sanitário, como oxitetraciclina e florfenicol, além de agroquímicos provenientes de atividades agrícolas vizinhas, como atrazina e endosulfan. A revisão indica que as fontes de contaminação são diversas: podem surgir do uso terapêutico na própria criação, estar presentes nos ingredientes da ração ou chegar aos viveiros através de esgotos domésticos e industriais não tratados nas proximidades das fazendas.

    Os impactos observados nos organismos aquáticos são variados e preocupantes. Os estudos compilados relataram efeitos que vão desde alterações comportamentais e diminuição do consumo de oxigênio até danos genéticos, deformidades na coluna vertebral e inibição da produção de esperma nos peixes. Além da toxicidade direta, o trabalho destaca o risco da resistência antimicrobiana em bactérias, um problema que pode afetar a eficácia de tratamentos futuros tanto na saúde animal quanto na humana.

    Os autores concluem que, embora as concentrações encontradas sejam muitas vezes baixas, a exposição crônica a esses compostos exige atenção imediata. O estudo reforça a necessidade urgente de desenvolver legislações específicas para regular esses contaminantes, que atualmente não fazem parte dos programas de monitoramento de rotina. Para quem deseja se aprofundar nos detalhes técnicos e metodológicos desta revisão, recomendamos a leitura do artigo original completo.

    Fonte: Emerging Contaminants Related to Brazilian Aquaculture

     

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