A análise geográfica dos dados revelou uma forte concentração de pesquisas nas regiões Sul e Sudeste, com o estado de São Paulo liderando o número de publicações, seguido por Rio de Janeiro e Santa Catarina. O estudo aponta uma lacuna significativa de informações sobre a região Norte e sobre espécies nativas de grande relevância econômica, como o Tambaqui, que possuem poucos dados toxicológicos disponíveis na literatura atual. Como reflexo dessa distribuição, a Tilápia-do-Nilo foi a espécie mais estudada, seguida por moluscos como mexilhões.
Entre as substâncias encontradas, os pesticidas e os produtos farmacêuticos foram as classes mais prevalentes. Foram detectados antibióticos utilizados no manejo sanitário, como oxitetraciclina e florfenicol, além de agroquímicos provenientes de atividades agrícolas vizinhas, como atrazina e endosulfan. A revisão indica que as fontes de contaminação são diversas: podem surgir do uso terapêutico na própria criação, estar presentes nos ingredientes da ração ou chegar aos viveiros através de esgotos domésticos e industriais não tratados nas proximidades das fazendas.
Os impactos observados nos organismos aquáticos são variados e preocupantes. Os estudos compilados relataram efeitos que vão desde alterações comportamentais e diminuição do consumo de oxigênio até danos genéticos, deformidades na coluna vertebral e inibição da produção de esperma nos peixes. Além da toxicidade direta, o trabalho destaca o risco da resistência antimicrobiana em bactérias, um problema que pode afetar a eficácia de tratamentos futuros tanto na saúde animal quanto na humana.
Os autores concluem que, embora as concentrações encontradas sejam muitas vezes baixas, a exposição crônica a esses compostos exige atenção imediata. O estudo reforça a necessidade urgente de desenvolver legislações específicas para regular esses contaminantes, que atualmente não fazem parte dos programas de monitoramento de rotina. Para quem deseja se aprofundar nos detalhes técnicos e metodológicos desta revisão, recomendamos a leitura do artigo original completo.
Fonte: Emerging Contaminants Related to Brazilian Aquaculture










