Engenharia de tanques e simulação digital
O sucesso zootécnico no ambiente fechado do RAS depende da criação de um ambiente hidrodinâmico que respeite as preferências biológicas da espécie. Os cientistas simularam o comportamento físico da água em tanques experimentais utilizando modelagem computacional de fluidos no software FLUENT. Testando vazões de jato de 0,1 a 1,6 m3/h com uma inclinação de injeção fixa em 45 graus, a equipe mapeou como as forças viscosas modificam a distribuição de velocidade e a movimentação de partículas desde a superfície até o fundo do tanque, permitindo prever o acúmulo de detritos perto do dreno.
Impacto no comportamento e na alimentação
A avaliação comportamental com juvenis revelou que a velocidade da água dita a capacidade de captura do alimento. Em vazões acima de 1,0 m3/h, os peixes gastavam energia excessiva nadando contra a correnteza, reduzindo drasticamente a taxa de ingestão de pellets flutuantes. Em contrapartida, fluxos lentos de 0,1 a 0,2 m3/h resultaram em dejetos espalhados por todo o fundo. A eficiência máxima de remoção de sedimentos e o melhor consumo alimentar ocorreram na faixa intermediária, mantendo a água limpa sem estressar os animais.
Otimização do crescimento e fator de condição
Após um experimento de cultivo de longo prazo por oito semanas, os peixes submetidos à taxa refinada de 0,6 m3/h demonstraram o desempenho produtivo mais equilibrado. Os dados morfométricos indicaram que os animais criados sob essa vazão apresentaram corpos mais robustos e o melhor fator de condição biológica. Esse cenário intermediário evitou o sedentarismo prejudicial dos fluxos baixos e o esgotamento energético causado pelo exercício extenuante das correntes mais severas.
Modulação metabólica e valor nutricional
A análise metabolômica não-alvo do tecido muscular confirmou que a hidrodinâmica altera a composição bioquímica do filé. O grupo mantido em 0,6 m3/h apresentou um acúmulo significativamente maior de aminoácidos e ácidos graxos essenciais benéficos. Os dados moleculares indicaram o enriquecimento de caminhos como o metabolismo de ácido linoleico e a via de sinalização de GnRH, provando que o fluxo de água regula hormônios que aceleram o crescimento e melhoram as propriedades nutricionais e o sabor da carne.
