Estudo da Sanepar e UFPR aponta papel de peixe nativo na retenção de metano

Uma pesquisa colaborativa realizada pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) revelou que o lambari-miúdo (Psalidodon minor) desempenha um papel fundamental na redução das emissões de gás metano. Realizado no Reservatório Passaúna, localizado na Região Metropolitana de Curitiba, o estudo detalha como a fauna nativa atua na retenção de carbono em ambientes aquáticos utilizados para o abastecimento público e geração de energia. O trabalho foi divulgado no portal do Governo do Estado do Paraná.

Mecanismo natural de retenção de carbono

O acúmulo de matéria orgânica nesses reservatórios frequentemente gera gases como o metano. No entanto, os pesquisadores constataram que este gás do efeito estufa é assimilado e incorporado diretamente à biomassa do lambari-miúdo. Essa absorção biológica natural reduz de forma expressiva a quantidade de metano que escaparia para o meio ambiente, transformando o pequeno peixe em um importante regulador ecológico regional.

Impacto de espécies invasoras

Os dados da pesquisa confirmam a elevada eficiência da espécie nativa nessa dinâmica ambiental. Contudo, esse serviço ecossistêmico essencial está sob forte ameaça devido à presença do black bass, um peixe predador exótico. A proliferação dessa espécie não nativa pode provocar uma redução na população de lambari-miúdo, alterando a cadeia alimentar local e prejudicando a capacidade de retenção de carbono do reservatório, conforme detalhado no artigo publicado pela ScienceDirect.

Protocolos globais de manejo

Para mitigar o risco ecológico, os cientistas defendem a implementação de monitoramentos contínuos e a adoção de estratégias de manejo da fauna regional. Diante desse cenário, o grupo desenvolveu um protocolo para prevenir invasões biológicas, estruturado de forma a ser replicado tanto em reservatórios brasileiros quanto internacionais. Além da Sanepar e da UFPR, o projeto envolveu especialistas da Universidade Federal de Lavras (UFLA), do Lancaster Environmental Centre, do LAB Analyses e do Museu de História Natural Capão da Imbuia.

Fontes: Governo do Estado do Paraná;

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