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    Mercado de poliquetas cresce na Espanha e alerta para a necessidade de gestão sustentável

    A pesca comercial de poliquetas, conhecidos popularmente como minhocas da praia utilizados como isca viva, tem ganhado um destaque econômico sem precedentes na região da Galiza, no noroeste da Espanha. Um estudo recente realizado por pesquisadores de instituições como a Universidade de Santiago de Compostela e a Universidade da Coruña revela que essa atividade superou diversas pescarias tradicionais em termos de volume de capturas e benefícios financeiros. Atualmente, o setor movimenta cerca de 100 milhões de euros por ano na região, impulsionado por uma demanda crescente de aproximadamente 60 mil pescadores recreativos que utilizam esses organismos como isca.

    Principais espécies e dinâmica de mercado

    A pesquisa identificou quatro espécies nativas principais que sustentam o mercado local: o gavilán (Scoletoma laurentiana), a minhoca (Hediste diversicolor), a minhoca de areia (Arenicola marina) e a minhoca de tubo (Diopatra neapolitana). Entre elas, o gavilán destaca-se como o recurso de maior valor, alcançando preços de venda que superam os 80 euros por quilo. Além da produção própria, a Galiza tornou-se um ponto estratégico de comércio, importando espécies exóticas de países como China, Coreia e Vietnã para suprir a alta demanda dos pescadores, que buscam praticidade e variedade nas lojas especializadas.

    Impacto da pesca recreativa e desafios de gestão

    Um dado surpreendente revelado pelo estudo é que a extração realizada pelos próprios pescadores recreativos para consumo próprio é significativamente maior do que a coleta comercial autorizada. Para algumas espécies, estima-se que a colheita recreativa seja até oito vezes superior à comercial, o que levanta preocupações sobre o impacto ambiental e a saúde dos estoques selvagens. Especialistas e gestores entrevistados apontam que a falta de estudos biológicos profundos e de métodos precisos para avaliar a quantidade de vermes remanescentes nos bancos de areia são desafios críticos para garantir a continuidade da atividade.

    Sustentabilidade e biossegurança em xeque

    Apesar do otimismo econômico, o setor enfrenta dilemas em relação à sustentabilidade e à biossegurança. O uso frequente de iscas importadas, como o “verme coreano”, traz o risco da introdução de espécies invasoras nos ecossistemas locais, especialmente quando pescadores descartam sobras de iscas vivas no mar ao final do dia. Além disso, poliqueteiros (coletores profissionais) relatam condições de trabalho árduas e a necessidade de maior organização na cadeia de valor para enfrentar a concorrência desleal do mercado ilegal e a oscilação de preços imposta por intermediários.

    Caminhos para o futuro

    Para assegurar que essa importante fonte de renda e tradição marítima não desapareça, os pesquisadores reforçam a urgência de planos de gestão baseados em evidências científicas e o fortalecimento da cogestão entre o governo e as associações de pescadores. O desenvolvimento de novos métodos de monitoramento e o controle rigoroso das áreas de extração são vistos como caminhos essenciais para equilibrar os benefícios econômicos com a proteção do meio ambiente marinho. Caso deseje se aprofundar nos detalhes técnicos e nas estatísticas desta pesquisa, convidamos você a acessar o artigo completo na revista Fisheries Research.

    Fonte: Polychaete bait fisheries in Galicia (NW Spain)

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