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    Maricultura de bivalves já supre ômega-3 e proteína para milhões

    Um levantamento global mostrou que a maricultura de bivalves (ostras, mexilhões, vieiras, amêijoas etc.) já produz proteína e gordura de altíssima qualidade nutricional, capaz hoje de suprir as necessidades de ômega-3 EPA + DHA de cerca de 78,7 milhões de adultos saudáveis e de aminoácidos essenciais (EAA) de 17,3 milhões de pessoas por ano. Entre 2018 e 2022, a produção de bivalves cresceu 7,1% em peso úmido, enquanto os rendimentos de proteína bruta, PUFA, EPA + DHA e EAAs aumentaram 4,4%, 5,9%, 6,5% e 3,1%, respectivamente, taxas superiores ao crescimento populacional global no mesmo período.

    Os autores compilaram dados oficiais da FAO e perfis de composição de lipídios e aminoácidos para estimar a produção anual de nutrientes em diferentes grupos de bivalves (ostras, amêijoas, vieiras, mexilhões e navalhas). Concluíram que essas espécies combinam alta fração de carne com teores relevantes de ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa (especialmente EPA e DHA) e de aminoácidos essenciais, o que as coloca entre as fontes animais mais interessantes do ponto de vista de qualidade proteica e de gordura.

    Os cálculos indicam que, embora os bivalves representem menos de 9% da biomassa de animais de aquicultura, respondem por cerca de 25% do EPA + DHA produzido pela aquicultura mundial, evidenciando grande eficiência na geração desses nutrientes. Dentro do grupo, amêijoas e vieiras se destacam como os produtores mais eficientes de EPA + DHA e EAAs, enquanto ostras contribuem relativamente menos para esses nutrientes, apesar de dominarem o volume de produção.

     

    Apesar do avanço, a oferta ainda é pequena frente à demanda global: considerando as recomendações de 500 mg/dia de EPA + DHA e 12,845 g/dia de EAA por adulto, a produção atual de bivalves cobre menos de 1% da necessidade mundial desses nutrientes. Os autores defendem que expandir de forma planejada a maricultura de bivalves, sobretudo de espécies mais eficientes como amêijoas e vieiras, pode ajudar a reduzir o déficit de ômega-3 e proteína de alta qualidade sem aumentar pressão sobre terras agrícolas ou estoques pesqueiros já sobre explotados.

    Como bivalves são animais filtradores que não exigem ração externa e têm baixa pegada de carbono, o estudo os aponta como peça estratégica em políticas de segurança alimentar e de transição para sistemas alimentares mais sustentáveis. O trabalho oferece números de referência para orientar investidores e formuladores de políticas sobre onde e em quais espécies vale mais a pena expandir a produção para maximizar o retorno nutricional por tonelada cultivada.

    Fonte: Quantitative evaluation of essential amino acids and omega-3 long-chain polyunsaturated fatty acids from global marine bivalve aquaculture

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