No entanto, os resultados obtidos após a retomada da alimentação foram surpreendentes. Os peixes demonstraram uma capacidade notável de recuperação, com o fígado retornando ao tamanho normal em apenas uma semana. Mais importante ainda, o grupo submetido ao jejum apresentou taxas de crescimento específicas superiores às do grupo controle durante a realimentação. A análise genética do fígado mostrou que, ao voltar a comer, o organismo do pirarucu ativou rapidamente vias metabólicas ligadas à regeneração de tecidos e produção de energia, otimizando o aproveitamento dos nutrientes.
O dado de maior impacto para o produtor é a eficiência no uso do alimento. O estudo apontou que o grupo que passou pelo jejum consumiu 51% menos ração ao longo de todo o experimento em comparação aos peixes alimentados continuamente. Além disso, a Conversão Alimentar (CA) — índice que mede quantos quilos de ração são necessários para produzir um quilo de peixe — atingiu valores excepcionalmente baixos, chegando a cerca de 0,5 na primeira semana de realimentação. Isso indica uma transformação de alimento em biomassa muito superior à média de outras espécies cultivadas.
Essas descobertas sugerem que o pirarucu possui uma plasticidade fisiológica robusta, permitindo a implementação de estratégias de alimentação que não apenas reduzem os custos operacionais, mas também diminuem o impacto ambiental da produção através da redução de resíduos. Embora os peixes do grupo tratado não tenham alcançado o mesmo peso final do controle no curto período do teste, a economia gerada e a recuperação acelerada abrem portas para novos modelos de manejo na aquicultura amazônica.
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