Um dado que chama a atenção é a diferença entre as espécies. A navalha (T. dombeii) apresentou uma carga de microplásticos significativamente superior à dos mexilhões, mesmo possuindo partículas de tamanho menor. Os pesquisadores sugerem que isso ocorre devido ao comportamento dessa espécie, que vive enterrada no sedimento e pode ingerir detritos depositados no fundo, ao contrário dos mexilhões que vivem fixados em substratos e filtram a água. A maioria das partículas encontradas nos tecidos dos animais eram fibras.
Além dos animais, o estudo monitorou as águas superficiais em áreas de cultivo de mexilhões, como o mar interior de Chile. Foi observada uma correlação direta entre a intensidade da produção aquícola e a concentração de microplásticos na água. As partículas identificadas eram compostas principalmente por poliamida, poliéster e polietileno, materiais frequentemente utilizados em cordas, redes e plataformas flutuantes da própria indústria de aquicultura. Isso indica que os materiais usados no cultivo podem estar contribuindo para a presença dessas partículas no ambiente.
Apesar da detecção generalizada, o cenário apresenta uma perspectiva comparativamente positiva. As concentrações de microplásticos registradas no sul do Chile são consideradas baixas quando comparadas a outras grandes regiões produtoras do mundo, como o Mar Mediterrâneo ou o Mar do Norte. Essa vantagem comparativa sugere que o setor ainda tem tempo hábil para adotar medidas preventivas eficazes.
As conclusões do estudo reforçam a necessidade de monitoramento constante e do desenvolvimento de estratégias de mitigação, como o uso de materiais alternativos aos plásticos convencionais na aquicultura. Para os profissionais da área interessados em compreender a fundo a metodologia e os dados completos desta pesquisa, recomendamos a leitura do artigo original.










