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    Estudo no sul do Chile revela presença de microplásticos em bivalves comerciais e águas de cultivo

    Uma nova pesquisa realizada no sul do Chile traz dados relevantes para a indústria de frutos do mar e a gestão ambiental costeira. Cientistas investigaram a presença de microplásticos em espécies de bivalves de importância comercial e nas águas superficiais de zonas de aquicultura. O estudo foi conduzido por pesquisadores ligados a instituições como a Universidad Adolfo Ibáñez, o Instituto Milenio en Socio-Ecología Costera (SECOS) e o Center of Applied Ecology and Sustainability (CAPES). O objetivo foi estabelecer uma linha de base sobre a contaminação nessas áreas produtivas fundamentais para o país.
    O trabalho analisou três espécies amplamente consumidas: o mexilhão chileno (Mytilus chilensis), o mexilhão gigante (Choromytilus chorus) e a navaja (Tagelus dombeii). Para compreender a influência da atividade humana, as coletas foram feitas tanto em locais com baixa intervenção antrópica quanto em áreas com alto impacto humano e atividade aquícola. Os resultados indicaram a presença de microplásticos em todos os indivíduos analisados, independentemente do local de origem, embora as concentrações tenham sido maiores nas zonas mais antropizadas.

    Um dado que chama a atenção é a diferença entre as espécies. A navalha (T. dombeii) apresentou uma carga de microplásticos significativamente superior à dos mexilhões, mesmo possuindo partículas de tamanho menor. Os pesquisadores sugerem que isso ocorre devido ao comportamento dessa espécie, que vive enterrada no sedimento e pode ingerir detritos depositados no fundo, ao contrário dos mexilhões que vivem fixados em substratos e filtram a água. A maioria das partículas encontradas nos tecidos dos animais eram fibras.

    Além dos animais, o estudo monitorou as águas superficiais em áreas de cultivo de mexilhões, como o mar interior de Chile. Foi observada uma correlação direta entre a intensidade da produção aquícola e a concentração de microplásticos na água. As partículas identificadas eram compostas principalmente por poliamida, poliéster e polietileno, materiais frequentemente utilizados em cordas, redes e plataformas flutuantes da própria indústria de aquicultura. Isso indica que os materiais usados no cultivo podem estar contribuindo para a presença dessas partículas no ambiente.

    Apesar da detecção generalizada, o cenário apresenta uma perspectiva comparativamente positiva. As concentrações de microplásticos registradas no sul do Chile são consideradas baixas quando comparadas a outras grandes regiões produtoras do mundo, como o Mar Mediterrâneo ou o Mar do Norte. Essa vantagem comparativa sugere que o setor ainda tem tempo hábil para adotar medidas preventivas eficazes.

    As conclusões do estudo reforçam a necessidade de monitoramento constante e do desenvolvimento de estratégias de mitigação, como o uso de materiais alternativos aos plásticos convencionais na aquicultura. Para os profissionais da área interessados em compreender a fundo a metodologia e os dados completos desta pesquisa, recomendamos a leitura do artigo original.

    Fonte: Exploring microplastics in commercial bivalve species and in bivalveaquaculture waters: Insights from the southern Pacific

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