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    Estresse térmico altera metabolismo e imunidade em garoupas híbridas

    Pesquisadores demonstraram que variações bruscas de temperatura, associadas às mudanças climáticas, desencadeiam uma cascata de alterações moleculares, bioquímicas e histológicas em garoupas híbridas (Epinephelus fuscoguttatus × E. lanceolatus). O estudo expôs peixes subadultos a flutuações térmicas de curta duração (1 dia, 21–33 °C) e de cinco dias (22–31 °C), classificando os indivíduos em grupos “agudo” (A), “tolerante” (R) e “sensível” (S) com base em comportamento de natação e alimentação.

    A análise do transcriptoma da pele revelou que os genes diferencialmente expressos se concentraram em vias de processamento da informação genética. Destacaram-se mecanismos de dobramento, triagem e degradação de proteínas, além de tradução e transcrição. Genes ligados ao processamento proteico no retículo endoplasmático, como skp1, ero1a e rpn2, foram ativados nos grupos A e R, enquanto genes do metabolismo energético tiveram forte indução no grupo sensível, sugerindo maior custo metabólico sob estresse.

    Em contraste, genes associados à via de ribossomos, incluindo rpl22, rps15, rpl9, rps21, rpl12 e rpl19, foram consistentemente reprimidos em todos os grupos expostos. Esse padrão indica uma possível redução global da capacidade de síntese proteica, característica clássica da reorganização metabólica celular em condições ambientais adversas.

    Do ponto de vista fisiológico, marcadores bioquímicos como alanina aminotransferase (ALT) e glicose (GLU) aumentaram, enquanto a atividade da lactato desidrogenase (LDH) diminuiu. Esses resultados evidenciam distúrbios metabólicos e estresse sistêmico. Análises histológicas revelaram vacuolização de hepatócitos e infiltração inflamatória no fígado, além de agregados de melanomacrófagos no baço e rim cefálico, sinais de ativação imune e sobrecarga fisiológica.

    Apesar das alterações internas, não houve mortalidade durante os cinco dias de experimento, indicando tolerância de curto prazo às oscilações térmicas, embora com custo fisiológico relevante. O painel integrado de genes, vias metabólicas e biomarcadores fornece subsídios para a seleção de linhagens mais termo-tolerantes e para ajustes de manejo em fazendas marinhas sob cenários de aquecimento global.

    Segundo os autores, identificar indivíduos com perfil “tolerante” e compreender os mecanismos que os diferenciam dos peixes “sensíveis” pode orientar programas de melhoramento genético. Essas informações também podem apoiar protocolos de mitigação do estresse térmico, contribuindo para manter desempenho produtivo e sanidade da garoupa híbrida em uma aquicultura cada vez mais exposta a extremos climáticos.

    Fonte: Temperature stress alters transcriptomic and physiological responses inhybrid grouper (Epinephelus fuscoguttatus × Epinephelus lanceolatus)

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