O governo da província argentina da Tierra del Fuego decidiu revogar a proibição do cultivo de salmão em águas marinhas e interiores. A medida reacende um dos debates ambientais mais relevantes do país nos últimos anos.
A decisão foi aprovada por margem estreita na legislatura provincial e altera uma legislação considerada histórica, em vigor desde 2021.
Lei histórica e mudança legislativa
Em 2021, Tierra del Fuego tornou-se a primeira província argentina a proibir integralmente a criação de salmão em alto-mar, lagos e lagoas. A Lei nº 1.355 foi aprovada por unanimidade.
Organizações ambientais, pescadores artesanais e setores do turismo comemoraram a medida. Esses grupos apontavam riscos significativos aos ecossistemas frágeis da região.
Em dezembro de 2025, a legislatura provincial modificou a lei após votação apertada, com placar de 8 votos a favor e 7 contra.
Nova autorização para a salmonicultura
A nova norma autoriza o cultivo de salmão sob regulamentação ambiental específica. A atividade poderá ocorrer principalmente na costa atlântica da província.
Segundo o governo local, a mudança busca estimular a economia regional. O objetivo inclui diversificar a matriz produtiva e criar empregos.
A província enfrenta um cenário de crescimento econômico lento, o que reforçou o argumento a favor da revisão da proibição.
Reações e preocupações ambientais
A revogação gerou forte reação de pescadores artesanais, organizações ambientais e comunidades locais. Esses grupos alertam para possíveis impactos ambientais.
Entre as preocupações estão a poluição marinha, a perda de biodiversidade e o uso intensivo de antibióticos. Também há receio de impactos sobre pescarias tradicionais.
Argumentos econômicos e fiscalização
Defensores da mudança afirmam que a salmonicultura pode ocorrer de forma responsável. Para isso, defendem fiscalização rigorosa e normas ambientais estritas.
Esse grupo sustenta que a atividade pode reduzir a dependência do turismo. Atualmente, o setor concentra grande parte da economia local.
Próximos passos e debate público
A decisão integra um movimento mais amplo do governo argentino. O país busca reduzir restrições regulatórias e atrair investimentos privados.
Especialistas afirmam que o avanço da atividade dependerá de regulamentações detalhadas. O processo também exigirá licenciamento transparente.
Nos próximos meses, são esperados novos debates públicos. A pauta pode gerar questionamentos judiciais e mobilização social.
O desafio será equilibrar desenvolvimento econômico e conservação ambiental em uma das regiões mais sensíveis do sul do continente.










