Regras comerciais e tarifas
O tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, estabelecendo regras comuns para o comércio de bens industriais e agrícolas. Para o Brasil, isso significa ampliar o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores. A estimativa é que o bloco europeu retire progressivamente as taxas sobre 92% das exportações do Mercosul, enquanto o bloco sul-americano deve eliminar tarifas sobre 91% das vendas europeias ao longo de 15 anos.
Impactos no agronegócio
Para o setor produtivo, incluindo o agronegócio, o acordo traz perspectivas de redução de custos e aumento de competitividade. Segundo a Comissão Europeia, o tratado eliminará mais de 4 bilhões de euros por ano em impostos sobre as exportações da UE. Além disso, houve consenso para ampliar as cotas de produtos isentos no setor agrícola, o que gera oportunidades diretas para produtores brasileiros que buscam internacionalizar seus produtos.
Sustentabilidade e desafios
No entanto, o caminho para a consolidação desse mercado exige atenção aos padrões de qualidade e sustentabilidade. O acordo enfrenta resistência de agricultores europeus, especialmente na França e na Irlanda, que temem a concorrência com produtos latino-americanos considerados mais baratos e submetidos a normas ambientais diferentes. Isso reforça a necessidade de o setor produtivo brasileiro manter o foco em práticas sustentáveis para garantir a aceitação no mercado europeu.
Apoio político e investimentos
A aprovação contou com um papel decisivo da Itália, que sinalizou apoio após garantias de recursos para seus agricultores, garantindo a maioria necessária no Conselho Europeu. O governo brasileiro celebrou a medida, destacando que o acordo fortalece o comércio com regras claras e deve atrair mais investimentos europeus para a região, além de facilitar a importação de tecnologias e insumos industriais de melhor qualidade e menor custo.
Próximos passos
O tratado ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor definitivamente. Apesar das oposições pontuais, a decisão atual abre portas significativas para a economia brasileira, prometendo ser uma alternativa estratégica à dependência de outros mercados globais e uma ferramenta para mitigar efeitos de medidas protecionistas internacionais.










