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    Preço da ração de tilápia: uma análise dos fatores determinantes

    Um dos fatores mais críticos na tilapicultura é o custo da ração, que representa uma parcela significativa dos custos totais de produção. Embora seja essencial para o crescimento e a saúde dos peixes, seu elevado valor pode impactar diretamente o volume produzido e a rentabilidade dos piscicultores. É necessário discutir como os custos de ração influenciam a eficiência produtiva e identificar estratégias que possam ser implementadas para mitigar esses gastos sem comprometer a qualidade e a produtividade. Vale destacar que esse insumo pode representar até 70% dos custos totais, dependendo do sistema de produção adotado.

    Com o objetivo de colocar essa questão em prática, utiliza-se uma metodologia de auxílio à decisão sob múltiplos critérios: o Método da Análise Hierárquica (AHP). A decisão de utilizá-lo está ligada à praticidade que oferece, representando assertividade dentre os fatores de análise, bem como apresenta uma base teórica consolidada. Para melhor compreensão da hierarquia do processo, composta por critérios e alternativas, estabelecem-se julgamentos comparativos fundamentados em consultas a especialistas e produtores em eventos setoriais de aquicultura. Os dados são coletados por questionários que contemplam cinco fatores relacionados ao preço: produção, mercado econômico, técnico e regional.

    Nesse sentido, observa-se que alguns fatores são determinantes para o preço da ração, dentre os quais se destacam: políticas públicas, inflação, taxa de juros e a relação oferta/demanda (sazonalidade). Tais fatores são caracterizados por quatro elementos mais expressivos para a atividade, os quais representam quase 80% das ocorrências no diagrama de Pareto, conforme ilustrado na Figura 1.

     

    Gráfico de Pareto mostrando os fatores determinantes do preço da ração de tilápia como política pública e inflação.
    Figura 1. Principais fatores determinantes para o preço da ração da tilápia.
     

    Em se tratando de políticas públicas, estas devem focar na desoneração tributária, no incentivo a insumos alternativos e na proteção da produção nacional. O objetivo é baratear o insumo diretamente no ato da compra e estabelecer uma taxação nacional que proteja os produtores locais da concorrência desleal (importações de baixo preço) — medida que já vem sendo trabalhada por entidades representativas junto ao Ministério da Pesca e Aquicultura.

    Sob a ótica da inflação, o preço da ração demonstra alta sensibilidade à variação das commodities. O aumento no valor do farelo de soja e do milho, frequentemente impulsionado pelo mercado internacional e pela inflação de custos, eleva diretamente o custo final da tilápia. As altas taxas de juros, sobretudo em operações de financiamento de custeio, refletem-se diretamente no custo de produção do quilo da tilápia, reduzindo a margem de lucro, que já é estreita. Como a ração representa o principal custo variável, qualquer aumento nos juros que encareça o financiamento desse insumo afeta diretamente a viabilidade econômica do negócio.

    Acerca da relação oferta/demanda, observa-se que a tilápia é a proteína aquática com maior taxa de crescimento. Caso a entrada de novos produtores supere a capacidade de expansão das fábricas de ração, a tendência é de alta nos preços. Paralelamente, em períodos de povoamento intenso, a demanda por esse insumo cresce bruscamente; sem um estoque estratégico, o produtor fica exposto a preços de pico.

    Por fim, conclui-se que o método AHP demonstra ser uma ferramenta valiosa para a tomada de decisões na piscicultura, contribuindo para o aprimoramento da gestão e para a obtenção de melhores resultados no setor.

    Um agroabraço e à disposição!

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