Uma falha no fornecimento de energia elétrica provocou a morte de cerca de 1,1 milhão de peixes em um sistema de piscicultura localizado no município de Tupãssi, no oeste do Paraná. O episódio ocorreu no fim de fevereiro e resultou em perdas estimadas em mais de R$ 9 milhões para o produtor responsável pela criação.
De acordo com informações divulgadas por especialistas, a interrupção de energia paralisou os aeradores responsáveis por manter níveis adequados de oxigênio dissolvido na água. Sem a oxigenação necessária, os peixes sofreram asfixia, levando à mortalidade em massa.
Oxigenação é essencial na piscicultura intensiva
Em sistemas de piscicultura intensiva, comuns na produção de tilápia e outras espécies comerciais, o equilíbrio da qualidade da água depende diretamente de equipamentos que promovem a circulação e a oxigenação do viveiro.
Quando esses equipamentos deixam de funcionar, o oxigênio dissolvido pode cair rapidamente a níveis críticos. A redução abrupta desse parâmetro compromete a respiração dos peixes e pode causar mortalidade em larga escala.
Segundo o pesquisador Giovanni Vitti Moro, da Embrapa Pesca e Aquicultura, a dependência de energia elétrica é elevada nesse tipo de sistema produtivo. Sem aeradores, o ambiente aquático perde rapidamente a capacidade de sustentar grandes biomassas de peixes.
Prevenção e medidas de emergência
Especialistas recomendam que piscicultores adotem estratégias para reduzir o risco de perdas em situações de queda de energia. Entre as principais medidas estão:
- uso de geradores de energia de emergência;
- monitoramento contínuo da qualidade da água;
- sensores e sistemas digitais para alertas de falhas elétricas;
- integração de fontes alternativas de energia, como sistemas solares.
Essas soluções permitem resposta mais rápida a falhas no sistema elétrico, evitando quedas abruptas nos níveis de oxigênio e reduzindo o risco de mortalidade em larga escala.
Impacto econômico na produção
No caso registrado no Paraná, cerca de 900 mil quilos de tilápia foram perdidos após a paralisação dos equipamentos de oxigenação. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 9 milhões, evidenciando o impacto econômico que eventos desse tipo podem gerar na aquicultura intensiva.
Especialistas destacam que a adoção dessas tecnologias ainda enfrenta limitações em muitas propriedades. O alto custo de equipamentos, a dificuldade de acesso à infraestrutura e as diferenças de escala produtiva dificultam a implementação de sistemas completos de contingência.
Mesmo assim, o planejamento do manejo, o monitoramento constante da qualidade da água e a adoção gradual de soluções de segurança operacional são apontados como alternativas importantes para reduzir riscos e evitar perdas significativas na produção aquícola.
Fonte: Globo Rural.










