Impacto da Temperatura no Desempenho
O experimento submeteu 450 juvenis a três temperaturas (23, 26 e 29°C) durante 25 dias em sistemas de recirculação (RAS). Embora a sobrevivência tenha sido superior a 98% em todos os grupos, os peixes mantidos na temperatura mais alta apresentaram resultados superiores em todos os índices de crescimento:
- Peso Final: A 29°C, o peso dos peixes foi 2,9 vezes maior do que o daqueles mantidos a 23°C.
- Consumo de Alimento: Juvenis a 29°C consumiram 2,14 vezes mais ração do que o grupo a 23°C.
- Conversão Alimentar: Peixes em temperaturas mais altas (26 e 29°C) demonstraram uma melhor capacidade de transformar o alimento em crescimento corporal.
Respostas ao Estresse Oxidativo
A temperatura de 23°C mostrou-se estressante para a espécie, comprometendo o seu equilíbrio oxidativo. Mesmo com um investimento maior em defesas antioxidantes (medido pela capacidade total contra radicais peroxil), esses peixes não conseguiram evitar danos celulares:
- Dano Lipídico: A peroxidação de lipídios (LPO) foi significativamente maior nos músculos, brânquias e fígado dos peixes a 23°C.
- Dano Proteico: O grupo mantido a 23°C apresentou níveis mais baixos de tióis proteicos no fígado, um indicador de maior oxidação de proteínas.
- Qualidade do Filé: O aumento da peroxidação lipídica em temperaturas abaixo do ideal pode favorecer o desenvolvimento de sabor rançoso e reduzir a qualidade pós-morte do filé.
Conclusão para o Produtor
Os resultados indicam que o melhor desempenho do Piraúna a 29°C está relacionado a um maior consumo de alimento, melhor conversão alimentar e menor necessidade de desviar energia para o reparo de danos oxidativos. Os pesquisadores destacam que o potencial de crescimento da espécie é notável, com taxas superiores às de outros peixes marinhos já consolidados na aquicultura, como a corvina-de-rede (Argyrosomus regius) e o red drum (Sciaenops ocellatus).
Futuros estudos devem explorar se o limite superior de temperatura para o crescimento máximo da espécie é ainda mais elevado que 29°C.
Para detalhes técnicos adicionais sobre os biomarcadores de estresse e protocolos de larvicultura, o artigo completo pode ser consultado na revista Aquaculture Reports.










