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    Aquicultura circular: O potencial de alimentar a Europa reciclando biomassa

    A aquicultura está posicionada para ser um pilar central na alimentação do futuro, mas como integrá-la de forma eficiente em um sistema de economia circular? Um novo estudo publicado na revista Sustainable Production and Consumption por pesquisadores da Universidade de Wageningen, na Holanda, utilizou um modelo avançado de otimização para responder a essa pergunta, focando no upcycling (valorização) de biomassa não consumida por humanos.

    O Conceito de Alimento de Baixo Custo de Oportunidade (LCF)

    Na economia circular, a produção animal deve ser limitada pela disponibilidade do que os cientistas chamam de Low-opportunity-cost feed (LCF). Isso inclui subprodutos de processamento, perdas de alimentos e pastagens que não competem diretamente com a alimentação humana.

    • Espécies Carnívoras: O Salmo salar e o Dicentrarchus labrax demonstraram ser excelentes recicladores de ácidos graxos essenciais (EPA/DHA) provenientes de subprodutos da pesca.
    • Espécies Onívoras: A Cyprinus carpio consegue converter subprodutos vegetais de baixa qualidade em proteína de alto valor, dependendo menos de insumos marinhos.

    O Desafio dos Ômega-3 (EPA/DHA)

    A pesquisa revelou que, sob os padrões atuais de produção e consumo na Europa, não há oferta suficiente de EPA/DHA para atender às necessidades nutricionais da população.

    • A Lacuna: Atualmente, faltam cerca de 60 mg de EPA/DHA por pessoa ao dia no continente europeu.
    • Dependência: A pesca sozinha não consegue suprir essa demanda, tornando a aquicultura circular indispensável.

    Comer o Peixe Inteiro: A Solução Mais Sustentável

    Uma das descobertas mais impactantes do estudo é que comer mais partes comestíveis do peixe (além do tradicional filé) é a estratégia mais eficaz para fechar a lacuna nutricional.

    • Eficiência Nutricional: Ao consumir partes como a carne da cabeça e abdômen, o rendimento comestível pode aumentar entre 37% e 113%.
    • Impacto Global: Se os europeus adotassem o hábito de comer o peixe inteiro (ou processado em produtos integrais), a Europa poderia não só nutrir sua população, mas ajudar a alimentar 118 milhões de pessoas adicionais fora do continente.

    Expansão da Aquicultura vs. Consumo Consciente

    Embora a expansão da produção (especialmente de carpas em sistemas extensivos) possa ajudar a suprir nutrientes, ela exige mais área e exerce pressão ambiental. O estudo sugere que a prioridade deve ser a otimização do que já é produzido, utilizando a aquicultura para “upcyclar” resíduos da pesca e da pecuária em alimentos nobres.

    Este estudo oferece uma visão estratégica para o futuro da segurança alimentar europeia e mundial. Para entender como o modelo FEEDSOM calculou essas trocas entre carne, laticínios e peixes, acesse o artigo completo na ScienceDirect.

    Fonte: Unlocking the wider potential of aquaculture in circular food systems in Europe

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