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    Farinha de inseto melhora sabor e qualidade da carne de tilápia

    Pesquisadores de diversas instituições da China, incluindo a Faculdade Técnica Vocacional de Xizang e a Universidade de Agricultura e Engenharia de Zhongkai, demonstraram que a inclusão da farinha da larva do bicho-da-farinha (Tenebrio molitor) na dieta da tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) traz benefícios diretos ao produto final. O estudo focou em substituir o farelo de soja, que enfrenta constantes altas de preço, por essa alternativa sustentável capaz de converter resíduos agrícolas em proteína de alta qualidade. Os resultados indicaram que a substituição de até 60% do farelo de soja não apenas é viável, como melhora significativamente a saúde metabólica dos peixes e as características da carne.

    Benefícios antioxidantes e vida de prateleira

    Uma das principais descobertas foi o aumento expressivo na capacidade antioxidante do músculo dorsal da tilápia. Os extratos da carne dos peixes alimentados com a farinha de inseto apresentaram maior eficiência em combater radicais livres, o que é um indicador positivo para a indústria de alimentos. Essa proteção natural, impulsionada por enzimas como a Superóxido Dismutase (SOD) e a Catalase (CAT), pode prolongar a vida de prateleira dos filés e reduzir a necessidade de conservantes sintéticos, atendendo à demanda dos consumidores por produtos mais limpos e saudáveis.

    Qualidade sensorial e sabor umami

    No aspecto sensorial, a dieta com larvas de Tenebrio molitor elevou os níveis de metabólitos que conferem o sabor umami, como os aminoácidos glutamato e aspartato, e ácidos graxos benéficos, como o oleico e o linolênico. Ao mesmo tempo, os pesquisadores observaram uma redução de compostos responsáveis pelo odor forte de peixe (off-flavor), como o óxido de trimetilamina. Essas mudanças transformam a tilápia em um produto premium, com perfil de sabor mais atraente para mercados gastronômicos e de refeições prontas.

    Metabolismo e economia circular

    As análises de metabolômica técnica que estuda o conjunto de substâncias químicas produzidas pelo metabolismo revelaram que a farinha de inseto ativa o Ciclo do Ácido Tricarboxílico (TCA), conhecido como ciclo da energia celular. Esse aumento na eficiência energética do peixe favorece a biossíntese de proteínas e ácidos graxos insaturados, explicando o ganho de qualidade na carne. Além disso, a prática fortalece a economia circular, pois as larvas são criadas a partir de sobras da produção agrícola que normalmente não teriam utilidade direta na piscicultura.

    Essa inovação oferece uma base científica sólida para que produtores brasileiros e mundiais adotem formulações de ração mais sustentáveis sem perder a eficiência produtiva. Ao integrar a farinha de larvas nos sistemas de cultivo, é possível reduzir a dependência de insumos tradicionais caros e entregar ao consumidor um peixe mais nutritivo e saboroso. Para os interessados em compreender os mecanismos biológicos detalhados e as dosagens testadas nesta pesquisa, recomenda-se o acesso ao artigo original completo.

    Fonte: Enhanced Nile tilapia meat quality by the metabolomic effects of Tenebrio molitor larval meal dietary supplement

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