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    Aquecimento global desafia a produção de camarões e caranguejos e exige novas estratégias na aquicultura

    O aumento acelerado das temperaturas das águas, impulsionado pelo aquecimento global, está se tornando um dos maiores desafios para a carcinicultura (criação de crustáceos) em todo o mundo. Um estudo recente realizado por pesquisadores de instituições na Tailândia, Índia e Reino Unido revela que o calor excessivo afeta diretamente funções vitais de espécies comercialmente valiosas, como camarões, caranguejos e lagostas. Como a temperatura é um fator abiótico crítico, ela controla o crescimento e a sobrevivência desses animais, que são especialmente sensíveis a oscilações térmicas por possuírem margens de tolerância muito estreitas.

    Os impactos fisiológicos observados são profundos e prejudicam a produtividade das fazendas. O estresse térmico aumenta a demanda por oxigênio e acelera o metabolismo, mas, paradoxalmente, reduz a capacidade do animal de converter alimento em biomassa, o que piora o Índice de Conversão Alimentar (FCR), ou seja, a quantidade de ração necessária para o animal ganhar peso. Além disso, embora o calor possa acelerar a frequência de mudas (troca da carapaça), os animais tendem a apresentar um crescimento menor a cada ciclo e tornam-se mais vulneráveis ao canibalismo e a doenças, já que o sistema imunológico fica seriamente comprometido.

    Para enfrentar esse cenário, o setor está adotando inovações tecnológicas que permitem maior controle ambiental. Sistemas de Recirculação na Aquicultura (RAS), que reciclam até 99% da água e mantêm parâmetros estáveis, e a Tecnologia de Bioflocos (BFT), que utiliza bactérias para remover amônia e converter resíduos em proteína, surgem como soluções resilientes. Outras abordagens, como a Aquamimicria, que busca replicar ecossistemas naturais para reduzir a dependência de rações comerciais, e a Aquaponia, que integra a criação de crustáceos com o cultivo de plantas, também mostram potencial para mitigar os efeitos do clima.

    Além da tecnologia de cultivo, a nutrição enriquecida e a biotecnologia oferecem suporte adicional à resiliência dos animais. Suplementos dietéticos, como a astaxantina e ácidos graxos essenciais, têm ajudado a melhorar a resistência ao estresse térmico em camarões e caranguejos. No campo genético, o uso da técnica de Interferência de RNA (RNAi) tem sido explorado para silenciar genes que tornam os animais suscetíveis a vírus, os quais se tornam mais agressivos em águas quentes. Estratégias financeiras, como modelos de seguros específicos para a aquicultura, também são apontadas como essenciais para proteger produtores contra perdas econômicas severas.

    A sustentabilidade da produção de crustáceos em um planeta em aquecimento dependerá da combinação entre conhecimento biológico e gestão adaptativa. Caso você queira se aprofundar nos dados científicos e nas estratégias de mitigação detalhadas, convidamos você a acessar o artigo completo.

    Fonte: Effects of climate change-induced temperature rise on crustaceanaquaculture: A comprehensive review

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