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    Estudo na Itália revela potencial de vermes marinhos para biorremediação e produção de ração em sistemas integrados

    A busca por métodos de cultivo mais sustentáveis tem levado a aquicultura global a explorar novas fronteiras, especialmente através da Aquicultura Multitrófica Integrada, conhecida pela sigla IMTA. Um estudo recente realizado no Mar Grande de Taranto, na Itália, demonstrou a viabilidade de cultivar o verme poliqueta Sabella spallanzanii associado a gaiolas de peixes marinhos. A pesquisa, conduzida pelo Departamento de Ciências Biológicas e Ambientais da Universidade de Salento, focou em transformar organismos que crescem naturalmente nas estruturas de cultivo, muitas vezes vistos apenas como incrustações indesejadas, em um recurso valioso para o produtor e para o meio ambiente.

    O experimento utilizou o recrutamento natural de larvas presentes na água, evitando a necessidade de semeadura artificial. Cordas de fibra de coco foram suspensas ao redor de gaiolas de robalo e dourado para captar a desova anual da espécie. Ao longo de um ciclo de 19 meses, os pesquisadores observaram que, apesar da mortalidade natural causada pela competição por espaço, o Sabella spallanzanii tornou-se a espécie dominante. O verme representou cerca de 66% da biomassa total de incrustações, atingindo uma produção estimada de uma tonelada de biomassa viva utilizando apenas 196 cordas experimentais.

    Além da produção de biomassa, o estudo destacou o papel ecológico crucial desses organismos. Como filtradores eficientes, os vermes consomem a matéria orgânica excedente proveniente das fezes dos peixes e das sobras de ração. Esse processo de biorremediação ajuda a reciclar nutrientes que, de outra forma, poderiam se acumular e prejudicar a qualidade da água local. A estrutura formada pelos tubos dos vermes também cria um habitat complexo, semelhante a uma “floresta animal”, que atrai e serve de refúgio para diversas outras espécies marinhas, aumentando a biodiversidade na área da fazenda.

    Um dos pontos mais importantes da pesquisa foi a análise da segurança química para uso comercial.

    Os cientistas descobriram que, embora os tubos e as coroas branquiais dos vermes acumulem altas concentrações de metais pesados, com destaque para o arsênio na coroa, o tecido corporal do animal manteve-se abaixo dos limites regulatórios da União Europeia. Isso sugere que, se processados corretamente com a remoção das partes externas, os corpos dos vermes podem ser utilizados com segurança como ingrediente proteico na fabricação de ração para peixes.

    O potencial econômico da espécie vai além da nutrição animal. Devido às suas características estéticas, com coroas coloridas e vistosas, o Sabella spallanzanii possui atratividade para o mercado de aquarismo ornamental. Adicionalmente, o muco produzido pelo animal apresenta atividade antimicrobiana, abrindo portas para futuras aplicações na indústria farmacêutica. O estudo conclui que a modelagem de crescimento indica um tempo ideal de colheita entre 22 e 30 meses, momento em que a produção de biomassa atinge seu pico, oferecendo uma nova perspectiva de diversificação de renda para aquicultores que adotam sistemas integrados.

    Para mais detalhes sobre a metodologia de cultivo e as análises químicas completas, convidamos você a ler o artigo original na íntegra.

    Fonte: Cultivation of the polychaete worm Sabella spallanzanii (Gmelin, 1791) in a novel multi-species IMTA (integrated multi-trophic aquaculture) system in the Mediterranean Sea

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