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    Estudo mapeia riscos de bactérias Vibrio no cultivo do camarão-da-malásia e alerta para saúde intestinal

    O camarão-da-malásia (Macrobrachium rosenbergii) é uma das espécies mais valorizadas na aquicultura global devido ao seu tamanho, sabor e rápido ciclo de cultivo. No entanto, com a intensificação da produção, surgem desafios significativos relacionados à qualidade da água e surtos de doenças bacterianas. Uma nova pesquisa conduzida por instituições chinesas, incluindo a Shanghai Ocean University e a Guangxi Academy of Fishery Sciences, investigou profundamente a presença e o impacto de bactérias do gênero Vibrio em sistemas de cultivo desta espécie.

    Durante o estudo, os pesquisadores isolaram centenas de cepas bacterianas a partir dos camarões, da água de cultivo e das cepas biológicas utilizadas. A análise identificou quatro espécies principais de Vibrio circulando no sistema: Vibrio parahaemolyticus, V. alginolyticus, V. harveyi e V. cholerae. Um dado interessante sobre a distribuição destes patógenos revelou que, enquanto o V. parahaemolyticus foi a espécie mais frequente encontrada diretamente nos camarões, o V. alginolyticus predominou nas amostras de água e nas cepas.

    Um dos pontos cruciais levantados pelo estudo foi o perfil de resistência destas bactérias aos antibióticos, um tema de grande relevância para o manejo sanitário. Os resultados mostraram taxas de resistência elevadas (acima de 50%) para medicamentos como ampicilina e sulfadiazina. Por outro lado, as bactérias apresentaram baixa ou nenhuma pressão de seleção para resistência contra antibióticos como tetraciclina, doxiciclina e enrofloxacina, indicando que estas ainda podem ser ferramentas eficazes se usadas com prudência.

    Além da resistência, a pesquisa avaliou a virulência, ou seja, a capacidade genética da bactéria de causar doenças. Foi detectada a presença de genes de virulência principalmente no V. parahaemolyticus, confirmando seu potencial para causar danos aos tecidos do hospedeiro. Em contrapartida, embora o V. cholerae tenha sido encontrado no sistema, as cepas isoladas não apresentaram genes de virulência detectáveis. Os cientistas sugerem que isso pode ocorrer devido a adaptações ambientais, onde a bactéria não expressa esses genes para economizar energia metabólica, representando, neste cenário específico, um risco menor.

    Para compreender o impacto real na saúde dos animais, o estudo realizou testes de infecção. Observou-se que a presença do Vibrio causou danos severos à estrutura do intestino dos camarões, incluindo o desprendimento de células epiteliais e inflamação. Além do dano físico, a infecção alterou a microbiota intestinal (a comunidade de bactérias benéficas), reduzindo a presença de grupos importantes como o gênero Lactococcus, que atua na proteção da barreira intestinal.Estas descobertas fornecem dados valiosos para o setor aquícola, destacando a necessidade de monitoramento constante não apenas da qualidade da água, mas da composição bacteriana do sistema.

    O estudo reforça que, mesmo com baixa resistência a certos antibióticos, o impacto do Vibrio na saúde intestinal e no equilíbrio microbiano do camarão-da-malásia pode ser devastador, exigindo estratégias de prevenção focadas na biosseguridade.

    Se você deseja aprofundar-se nos detalhes técnicos sobre os genes de resistência identificados e a metodologia completa de isolamento bacteriano, recomendamos a leitura do artigo científico original.

    Fonte: Virulence, antimicrobial resistance characteristics, and intestinal microbial composition changes of Vibrio isolated from a Macrobrachium rosenbergii aquaculture system

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