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    Ultrassonografia na aquicultura do polvo-comum: previsão de desova

    O uso de ultrassonografia permite prever com precisão o momento da desova de fêmeas de polvo-comum (Octopus vulgaris), superando um dos principais desafios da aquicultura da espécie. O interesse pela aquicultura do polvo-comum tem crescido significativamente nos últimos anos, aproximando a produção comercial da realidade. No entanto, um dos desafios para o manejo eficiente das instalações de cultivo é a dificuldade em prever o momento exato da desova das fêmeas. Um novo estudo, conduzido por instituições de pesquisa da Espanha, Chile e Bélgica, demonstrou que o uso de ultrassonografia pode ser uma ferramenta valiosa para monitorar a maturação ovariana e antecipar a postura dos ovos.
    A ultrassonografia permitiu estimar o volume ovariano de forma não invasiva e com alta precisão. A pesquisa avaliou o volume do ovário como um indicador do estado de maturidade em polvos selvagens e cultivados utilizando uma técnica não invasiva. Diferente de outros métodos que podem exigir o sacrifício do animal, a ultrassonografia permitiu acompanhar o crescimento gonadal das fêmeas sem causar danos. Os pesquisadores compararam os volumes ovarianos obtidos por ultrassom com os volumes reais, confirmando a eficácia do método para estimar o Índice Gonadossomático, denominado no estudo como GSIU.

    O crescimento do ovário mostrou relação direta e previsível com o tempo restante até a desova. Os resultados indicaram uma relação previsível entre o crescimento do ovário e o tempo restante para a desova. Os dados coletados de fêmeas mantidas em cativeiro mostraram que o índice GSIU aumenta rapidamente conforme o animal se aproxima do período reprodutivo. O estudo estabeleceu um modelo matemático que relaciona esse índice ao tempo: quando o valor do GSIU avança de 1,0 para 4,0 cm³ por 100 g de peso corporal, o tempo estimado para a desova cai de aproximadamente 40 para 10 dias.

    A maturação ovariana ocorreu de forma semelhante em fêmeas de diferentes tamanhos corporais. Um ponto interessante observado pelos cientistas é que a maturação ovariana parece ocorrer de forma estereotipada, independentemente do peso corporal da fêmea. O aumento acentuado no volume relativo do ovário aconteceu de maneira similar em animais com diferentes pesos, sugerindo que, uma vez iniciado, o processo de maturação segue um curso previsível. Além disso, foi notado que a taxa de crescimento corporal dos animais diminui conforme o volume do ovário aumenta e a desova se aproxima.

    A capacidade de antecipar a desova traz ganhos diretos para o manejo reprodutivo na aquicultura de polvos. Essa descoberta traz implicações práticas diretas para a gestão de reprodutores em instalações de pesquisa e produção. A capacidade de prever a data da desova permite aos aquicultores programar melhor o uso de tanques e outros recursos necessários para o cultivo das fases iniciais das pós-larvas. Diferente dos peixes, as fêmeas de polvo podem armazenar espermatóforos até o momento da maturação, tornando esse tipo de monitoramento ainda mais estratégico para o sucesso da produção.

    O estudo fornece base científica para o uso do ultrassom como ferramenta padrão no manejo reprodutivo de polvos. Para os produtores e pesquisadores que desejam se aprofundar nos modelos matemáticos e nos detalhes técnicos da metodologia aplicada, recomendamos a leitura do artigo original completo.

    Fonte: Ultrasound measurements reveal predictable relationship betweenspawning time and ovarian growth in Octopus vulgaris

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