O muco da pele dos peixes atua como uma barreira primária contra patógenos e estressores ambientais, além de desempenhar papéis vitais na regulação osmótica e na percepção sensorial. Os pesquisadores destacam que o perfil de proteínas presente nessa substância pode servir como um biomarcador não invasivo para o estado de saúde dos animais. Isso significa que, no futuro, produtores poderão obter informações sobre exposição a doenças, condição nutricional e níveis de estresse sem precisar ferir ou sacrificar os peixes.
Entre as descobertas mais notáveis, os cientistas observaram diferenças significativas na produção de muco entre as espécies. Os juvenis de Seriolella violacea secretaram cinco vezes mais muco do que as outras duas espécies analisadas. No entanto, quantidade não significou necessariamente maior concentração de proteínas; o conteúdo proteico por mililitro dessa espécie foi similar ao do Seriola lalandi. Acredita-se que o muco da S. violacea contenha uma maior proporção de carboidratos, o que lhe confere propriedades físicas distintas.
Por outro lado, a corvina (Cilus gilberti) surpreendeu nos testes de defesa contra bactérias. Embora apresentasse a menor concentração total de proteínas, seu muco demonstrou a maior eficácia antimicrobiana. Os testes mostraram que o fluido dessa espécie possui atividade inibitória contra cepas de Vibrio, que são patógenos comuns e problemáticos na aquicultura, além de agir contra a Escherichia coli. Essa eficiência foi atribuída à alta atividade da lisozima, uma enzima que ataca a parede celular das bactérias e é um componente-chave do sistema imune inato.
A análise proteômica, que mapeia as proteínas presentes, revelou que o muco é um fluido multifuncional complexo. Foram identificadas proteínas envolvidas na estrutura celular, metabolismo, resposta imune e gestão do estresse oxidativo. Um dado interessante é que a síntese de proteínas parece ser o processo dominante no muco da pele das três espécies, o que sugere que os peixes gastam uma quantidade considerável de energia para manter essa barreira protetora sempre renovada e íntegra.
Além das defesas diretas contra bactérias, o estudo encontrou indícios de proteção contra danos oxidativos. No caso do Seriola lalandi, os pesquisadores detectaram uma atividade mais elevada de peroxidase, outra enzima importante para a defesa do organismo, sugerindo que esta espécie pode ter um sistema mais robusto para lidar com o estresse oxidativo. Essas variações indicam que cada espécie desenvolveu estratégias moleculares específicas para sobreviver e se adaptar ao ambiente marinho.
Os resultados reforçam a importância de entender a biologia básica das espécies nativas para aprimorar as práticas de cultivo. A identificação e quantificação dessas proteínas podem servir de base para o desenvolvimento de ferramentas de diagnóstico que permitam a detecção precoce de estresse e doenças. Com isso, a indústria pode caminhar para uma gestão mais sustentável e eficiente, garantindo melhor bem-estar animal e maior produtividade.
Para aqueles interessados em aprofundar o conhecimento sobre a composição proteica e as propriedades funcionais do muco destas espécies, recomendamos a leitura do artigo completo original: First insights into the proteome and antimicrobial properties of epidermal mucus from marine fish species of Chilean aquaculture diversification










