Juvenis de origem selvagem foram criados em sistemas marinhos adaptados e devolvidos ao rio de origem. A equipe coletou juvenis de uma mesma linhagem no Parque Nacional Fundy e os criou em sistemas marinhos modificados, adaptados a peixes de origem selvagem. Todos os anos, entre 2015 e 2024, lotes de peixes adultos foram marcados na fazenda e transportados de caminhão para serem soltos no rio Upper Salmon, no próprio parque, exatamente na época em que retornariam do mar para desovar em condições naturais.
A estratégia buscou contornar o estágio marinho, considerado o gargalo crítico da sobrevivência do salmão. A estratégia foi desenhada para “pular” o trecho mais crítico do ciclo de vida, o estágio marinho, onde a mortalidade é mais alta e tem sido o principal freio à recuperação populacional. Depois das solturas, salmões adultos passaram a ser observados retornando naturalmente ao rio entre 2016 e 2024, revertendo um cenário em que praticamente não havia registros de retorno entre 1995 e 2007, após um colapso populacional.
Os resultados indicam que a maricultura pode contribuir para restabelecer salmões em bacias onde a espécie havia desaparecido. Embora a dimensão exata dos benefícios ainda esteja sendo quantificada, os resultados indicam que o reforço com adultos criados em maricultura pode ajudar a restabelecer a presença de salmões em bacias onde a espécie já tinha desaparecido. Os autores defendem que o modelo de “aquicultura de conservação” testado em Fundy oferece um roteiro prático para outras regiões que enfrentam um futuro sem salmão e com perda associada de serviços ecossistêmicos, identidade cultural e atividades econômicas ligadas à espécie.










