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    Maraponia: aquaponia marinha ganha espaço em regiões áridas e costeiras

    Uma revisão recente apresenta a maraponia, ou aquaponia marinha, como estratégia promissora para produzir alimentos em ambientes salinos com pouca disponibilidade de água doce. O conceito integra aquicultura marinha em terra, geralmente em sistemas de recirculação (RAS), com o cultivo hidropônico de halófitas, plantas tolerantes ao sal, fechando ciclos de água e nutrientes.

    Na maraponia, a água rica em nutrientes dos tanques de organismos marinhos é direcionada para halófitas, que removem compostos nitrogenados e fosfatados enquanto produzem biomassa com valor comercial. Em seguida, essa água retorna tratada ao sistema aquícola, reduzindo descargas de efluentes, o uso de fertilizantes sintéticos e o consumo de água doce, aspecto crítico em regiões áridas, semiáridas e zonas costeiras afetadas pela salinização do solo.

    O artigo destaca que a maraponia se apoia em tecnologias já consolidadas, como RAS, sistemas de bioflocos e probióticos, combinados ao cultivo de halófitas capazes de remover nutrientes de forma eficiente. Entre os exemplos citados estão integrações com peixes marinhos, camarões e plantas como Salicornia, conhecida como aspargo-do-mar, criando novos nichos de mercado e agregando valor à produção.

    A revisão diferencia aquaponia salina e maraponia: a primeira utiliza água salobra (5–15 g/L) e peixes eurialinos, enquanto a segunda trabalha com água do mar total ou diluída e espécies verdadeiramente marinhas. Em ambas, o objetivo é transformar efluentes aquícolas em recurso para plantas, evitando descarte e reduzindo a pressão sobre áreas costeiras hoje ocupadas por tanques-rede.

    Apesar do potencial, os autores apontam desafios, como o manejo da salinidade, a compreensão das interações entre plantas, microrganismos e organismos aquáticos, e a viabilidade econômica em escala comercial. Faltam dados sobre desempenho produtivo, ciclos de nutrientes em ambientes salinos e análises de custo-benefício em cenários reais.

    O artigo sugere que inovações tecnológicas podem aumentar a eficiência da maraponia, como uso de energia solar e ferramentas de biotecnologia para mapear microbiomas e processos funcionais. Políticas públicas com créditos de nutrientes, incentivos financeiros e marcos regulatórios adequados também podem acelerar a adoção da abordagem em regiões com escassez hídrica e salinização crescente.

    A revisão posiciona a maraponia na interseção entre segurança alimentar e sustentabilidade, aproveitando o fato de que mais de 97% da água do planeta é salgada. Ao integrar aquicultura marinha em terra com hidroponia de halófitas, esses sistemas fechados podem criar cadeias alimentares mais circulares, resilientes ao clima e menos dependentes de água doce, especialmente em zonas áridas e costeiras vulneráveis.

    Fonte: Marine aquaponics for arid and coastal resilience: Closing loops in saline food systems

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