Pesquisadores criam sistema inovador para cultivo celular de Litopenaeus vannamei

Uma equipe do Instituto Roslin, na Escócia, desenvolveu protocolos otimizados para cultivo de células primárias dos hemócitos e do órgão linfoide (também chamado de órgão de Oka) do camarão branco do Pacífico (Litopenaeus vannamei), espécie fundamental na aquicultura global. O avanço permite manter essas células vivas e saudáveis por períodos prolongados em laboratório, até 28 dias para hemócitos e 50 dias para o órgão linfoide, superando tempos anteriores.

Comparação de viabilidade celular em tubos Falcon normais e revestidos com BSA.
Comparação entre tubos Falcon comuns e revestidos com BSA, mostrando maior recuperação de hemócitos viáveis (verde) no segundo caso.

Os pesquisadores formularam um meio de cultura baseado em DMEM/F-12, suplementado com soro bovino, extrato muscular de camarão e outros nutrientes, ajustado para condições fisiológicas de pH e osmolaridade. As culturas mostraram alta viabilidade, adesão e capacidade proliferativa, com células ativamente se dividindo, o que abre caminho para potencial imortalização futura de linhas celulares contínuas.

Esse sistema viabiliza estudos detalhados de interações hospedeiro-patógeno, essenciais para entender doenças virais que ameaçam a sustentabilidade da carcinicultura. Até hoje, a falta de culturas celulares estáveis dificultava testes de terapias e avanços biotecnológicos específicos para crustáceos marinhos.

Além disso, protocolos rigorosos de preparo do tecido e esterilização, o uso de tubos revestidos para reduzir a perda celular e práticas de semeadura controlada contribuíram significativamente para o sucesso. O órgão linfoide foi cultivado não apenas como células isoladas, mas também via explantes, que liberam células migratórias viáveis para o meio, garantindo mais realismo biológico.

Cultura primária do órgão linfoide de Litopenaeus vannamei mostrando células vivas e migratórias.
Imagens de fluorescência de explantes do órgão linfoide de Litopenaeus vannamei cultivados em ASM-2, mostrando células vivas (verde) e algumas mortas (vermelho) após o cultivo.

Esse avanço coloca a carcinicultura mais perto de ferramentas comuns em vertebrados para acelerar pesquisas, diagnósticos e desenvolvimento de soluções contra doenças. Os autores recomendam o uso dessa plataforma para experimentos in vitro e para testar estratégias inovadoras na indústria do camarão.

Para interessados em protocolos detalhados, composição do meio ASM-2 e análise da viabilidade celular, o link para o artigo segue abaixo.

Fonte:

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Veromar

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