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Produção de alevinos de tambatinga no Tocantins quita investimento em nove meses

A escassez de formas jovens de tambatinga (Colossoma macropomum x Piaractus brachypomus) representa um dos principais gargalos para o crescimento da piscicultura no Tocantins, segundo maior produtor da espécie no país. Para solucionar essa dependência de fornecedores externos e filas de espera, pesquisadores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e da Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc) avaliaram a viabilidade econômica da implantação de uma fazenda de reprodução e alevinagem no município de Peixe (TO). O modelo dimensionado demonstrou elevado potencial financeiro, garantindo o retorno do capital investido em apenas nove meses de operação.

Dimensionamento e infraestrutura da fazenda

A estrutura proposta foi planejada para uma propriedade de 5,04 hectares, integrando 1,6 hectare de lâmina d’água e um laboratório industrial de 250 m². A área produtiva é composta por oito viveiros escavados para alevinagem, dois viveiros para manutenção de reprodutores, reservatório de água e sistema de tratamento de efluentes com macrófitas aquáticas. O plantel produtivo foi dimensionado em 72 matrizes, utilizando fêmeas de tambaqui (Colossoma macropomum) e machos de pirapitinga (Piaractus brachypomus), permitindo a obtenção de 15 milhões de alevinos por ano, divididos em oito ciclos de reprodução induzida.

Investimento inicial e desempenho financeiro

O levantamento detalhado indicou um custo de implantação de R$ 799.243,77, valor que abrange terraplanagem, licenças ambientais, construção civil, sistemas de bombeamento e aquisição de matrizes com melhoramento genético. O Custo Operacional Efetivo (COE) anual situou-se em R$ 677.023,34. Diferente dos sistemas de engorda, em que a ração domina as despesas, a mão de obra especializada representou o maior impacto financeiro no laboratório, correspondendo a 57% do Custo Operacional Total (COT).

Com a comercialização de 15.000 milheiros de alevinos ao preço praticado na região, a receita bruta anual foi estimada em R$ 2.250.000,00, gerando um lucro operacional mensal de R$ 128.260,46. O Valor Presente Líquido (VPL) alcançou R$ 6.618.987,17 em um horizonte de dez anos, acompanhado de uma Taxa Interna de Retorno (TIR) de 91% e Relação Benefício-Custo (RBC) de 1,53, além de um índice de lucratividade de 68%.

Impactos para a cadeia aquícola regional

Apesar da exigência de alto investimento inicial e de rigoroso manejo zootécnico no laboratório, a alevinagem de tambatinga no sul do Tocantins mostra-se altamente atrativa. A consolidação de empreendimentos desse porte minimiza custos com fretamento interestadual, reduz mortandades decorrentes do transporte prolongado e assegura regularidade no abastecimento aos piscicultores. Os resultados fornecem uma base sólida para orientar investidores e políticas de fomento no setor aquícola do Norte brasileiro.

Fonte: ESTUDO DE VIABILIDADE ECONÔMICA PARA IMPLANTAÇÃO DE UMA FAZENDA DE REPRODUÇÃO E ALEVINAGEM DE TAMBATINGA (Colossoma macropomum x Piaractus brachypomus) NO TOCANTINS

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