Impactos do jejum e desrupção fisiológica
Submetidas a um período de 20 dias de jejum estrito em temperatura controlada, ambas as linhagens sofreram redução no fator de condição corporal e alterações no equilíbrio hidromineral, marcadas pela diminuição dos níveis de cálcio e sódio no plasma. Contudo, a linhagem gorda apresentou uma perda de peso corporal significativamente maior (11,6%) do que a linhagem magra (9,5%). Além disso, a análise de componentes principais (PCA) revelou uma desrupção sistêmica muito mais acentuada nos peixes gordos, que registraram quedas no hematócrito, na concentração de células sanguíneas e em parâmetros de imunidade inata, como a atividade da peroxidase e a fagocitose.
Estratégias metabólicas e comportamento alimentar
O estudo constatou que os dois grupos adotaram vias distintas para sustentar o metabolismo durante a fome. Enquanto as trutas magras recorreram predominantemente aos estoques de lipídios, os exemplares gordos reduziram também as concentrações plasmáticas de lactato e proteínas totais, indicando uma mobilização mais ampla de fontes de energia, inclusive proteicas. Na etapa de realimentação com alimentadores acionados pelos próprios peixes, a linhagem magra demonstrou apetite precoce, concentrando 80% de suas solicitações alimentares no período da manhã. A linhagem gorda, por sua vez, distribuiu suas demandas entre a manhã e o fim da tarde.
Eficiência no ganho de peso pós-estresse
Após 22 dias de realimentação, a linhagem magra obteve um ganho relativo de peso de 26,7%, comparado a 17,6% da linhagem gorda. Os tanques com peixes magros registraram maior consumo de ração e maior ganho de biomassa total, atingindo uma conversão alimentar superior (0,88 contra 1,03 no grupo gordo). Enquanto a linhagem magra reestabeleceu rapidamente o hematócrito e a homeostase, a linhagem gorda manteve índices hematológicos reduzidos e uma recuperação metabólica mais lenta.
Aplicações no manejo da truticultura
Os resultados evidenciam que o perfil de reservas de gordura condiciona a resiliência dos peixes ao estresse nutricional. Para a aquicultura, esses achados indicam que estratégias de alimentação baseadas em ciclos de jejum e realimentação devem considerar o genótipo e a composição corporal do plantel. A escolha de linhagens mais eficientes no uso de energia permite otimizar os custos com ração, reduzir perdas produtivas e aprimorar o bem-estar animal em sistemas comerciais de cultivo.
