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Truta-arco-íris magra apresenta maior resiliência e ganho de peso após jejum

Pesquisadores do INRAE, da Université Paris-Saclay e de instituições parceiras na França demonstraram que a quantidade de reserva lipídica corporal influencia diretamente a capacidade de recuperação metabólica e imunológica de peixes submetidos à privação de alimento. Ao comparar duas linhagens de truta-arco-íris (Oncorhynchus mykiss) selecionadas geneticamente ao longo de sete gerações para baixo (magra) ou alto teor de gordura muscular (gorda), o estudo revelou que a linhagem magra respondeu com maior estabilidade fisiológica, crescendo mais rápido e aproveitando melhor a ração no retorno da alimentação.

Impactos do jejum e desrupção fisiológica

Submetidas a um período de 20 dias de jejum estrito em temperatura controlada, ambas as linhagens sofreram redução no fator de condição corporal e alterações no equilíbrio hidromineral, marcadas pela diminuição dos níveis de cálcio e sódio no plasma. Contudo, a linhagem gorda apresentou uma perda de peso corporal significativamente maior (11,6%) do que a linhagem magra (9,5%). Além disso, a análise de componentes principais (PCA) revelou uma desrupção sistêmica muito mais acentuada nos peixes gordos, que registraram quedas no hematócrito, na concentração de células sanguíneas e em parâmetros de imunidade inata, como a atividade da peroxidase e a fagocitose.

Estratégias metabólicas e comportamento alimentar

O estudo constatou que os dois grupos adotaram vias distintas para sustentar o metabolismo durante a fome. Enquanto as trutas magras recorreram predominantemente aos estoques de lipídios, os exemplares gordos reduziram também as concentrações plasmáticas de lactato e proteínas totais, indicando uma mobilização mais ampla de fontes de energia, inclusive proteicas. Na etapa de realimentação com alimentadores acionados pelos próprios peixes, a linhagem magra demonstrou apetite precoce, concentrando 80% de suas solicitações alimentares no período da manhã. A linhagem gorda, por sua vez, distribuiu suas demandas entre a manhã e o fim da tarde.

Eficiência no ganho de peso pós-estresse

Após 22 dias de realimentação, a linhagem magra obteve um ganho relativo de peso de 26,7%, comparado a 17,6% da linhagem gorda. Os tanques com peixes magros registraram maior consumo de ração e maior ganho de biomassa total, atingindo uma conversão alimentar superior (0,88 contra 1,03 no grupo gordo). Enquanto a linhagem magra reestabeleceu rapidamente o hematócrito e a homeostase, a linhagem gorda manteve índices hematológicos reduzidos e uma recuperação metabólica mais lenta.

Aplicações no manejo da truticultura

Os resultados evidenciam que o perfil de reservas de gordura condiciona a resiliência dos peixes ao estresse nutricional. Para a aquicultura, esses achados indicam que estratégias de alimentação baseadas em ciclos de jejum e realimentação devem considerar o genótipo e a composição corporal do plantel. A escolha de linhagens mais eficientes no uso de energia permite otimizar os custos com ração, reduzir perdas produtivas e aprimorar o bem-estar animal em sistemas comerciais de cultivo.

Fonte: Growth, metabolic, and immune responses of lean and fat rainbow trout lines during a starvation-refeeding cycle

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